terça-feira, 11 de novembro de 2014

Um encontro fictício com uma senhora de 102 anos.



Ela fez um sinal para que eu parasse o carro.
- Bom dia! Um sorriso largo estampa seu rosto.
- Bom dia. Um sono absurdo estampa o meu.
- Você poderia me dar uma carona até a rodoviária?
- A senhora vai até a rodoviária sozinha? Perguntei, preocupada por ser uma pessoa tão idosa.
- Sim! Fitou-me, como quem lê meus pensamentos.
- Tudo bem, para onde a senhora vai?
- Vou ao cemitério arrumar o túmulo do meu falecido marido.
- Ah é? Mas é a senhora quem faz isso? Não tem filhos, netos, parentes?
- Tenho três filhos e cinco netos. Mas é que eu gosto de cuidar do túmulo do meu marido pessoalmente.
- Olha, não quero ser desagradável, mas estou preocupada com o fato da senhora sair sozinha. Poderia, ao menos, me dar o número do seu celular e o número do celular de alguém da sua família. Preciso me certificar de que estou fazendo a coisa certa, antes de colocar a senhora numa fria.
- Tudo bem. Eu entendo. Aqui está o número do meu filho. Pode ligar pra ele do meu celular.
Liguei e confirmei. O nome dela é D. Lúcia, tem 102 anos, é teimosa, vaidosa, determinada e independente. Sempre cuidou do marido e o marido sempre cuidou dela. Eram inseparáveis. Agora ela cuida do túmulo dele e se cuida.
Pedi desculpas, mais uma vez, pela curiosidade, mas é que ela estava com as unhas pintadas, o cabelo bem arrumado, a roupa impecável, com sapato, bolsa e acessórios combinados.  Não me contive e perguntei o motivo de tanto capricho.
- Vou te explicar. Quando o meu marido ainda estava vivo, ele cuidava de mim e eu cuidava dele. Éramos amigos. Ele gostava muito de me ver arrumada. Agora eu ando sempre arrumada. Assim, no dia em que eu for ao encontro dele, estarei impecável como ele gostava de me ver.
Deu uma risada e disse: Você acredita que eu nem era vaidosa antes de conhecer o meu marido? Verdade! Ele vivia comprando coisas, maquiagens, roupas e me tratava como uma rainha. Para expressar a minha gratidão, eu me arrumada para ele. Foi assim que me tornei tão vaidosa.
- Que lindo! Fiquei emocionada.
Ela perguntou se eu queria ouvir mais e eu respondi que sim.
- Eu sou do interior de São Paulo, de uma cidade bem pequena chamada Palestina. Fica pertinho de São José do Rio Preto. Minha cidade deve ter, no máximo, 11 mil habitantes. É bem pequena mesmo. Lá, todo mundo se conhece. Meu marido era meu vizinho. Nós brincávamos juntos quando crianças, estudamos juntos, fomos à luta para conseguir emprego, nos casamos e nos mudamos para Brasília, assim que o Presidente Juscelino Kubitschek anunciou a construção da capital. Viemos para cá com o sonho de ficarmos ricos, mas não ficamos. Meu marido trabalhou na Novacap, o órgão responsável pela urbanização de Brasília, e eu virei professora do primário. Demos muito duro por aqui e com a chegada dos filhos, tivemos que lutar muito para nos manter. Mas sabe o que foi importante nisso tudo? Meu marido e eu nunca desistimos um do outro, mesmo nos piores momentos. Eu fico triste de ver que, hoje em dia, os casais se separam por qualquer motivo. Nossa vida não foi só flores. É impossível que duas pessoas, completamente diferentes, dividam o mesmo espaço e não se desentendam. Sempre haverá desentendimentos. Mas tem que haver tolerância, compreensão e respeito, senão não dá certo. Eu tenho um filho que se separou recentemente. Meus netos ficaram com a minha nora. Ele diz que assim é melhor, mas eu não sei até onde isso pode ser verdade. Ele sai com amigos, bebe muito, volta tarde e no dia seguinte está com o olhar triste. Contei a ele um episódio em que eu fiquei tão furiosa com o meu marido, por ele ter se atrasado para um compromisso que considerava importante, que peguei uma camisa que ele gostava muito e rasguei. Ele ficou furioso comigo. Ficamos meses sem trocar uma só palavra. Mas nunca passou pelas nossas cabeças uma separação. Eu não conseguiria vislumbrar uma vida sem ele. Acho que ele pensava da mesma forma. Agora que ele se foi, eu cuido do que restou. O túmulo e eu.
Fiquei estarrecida com a última afirmação e perguntei qual era a idade dela quando ele se foi, já que ela me parece uma mulher cheia de vida.
- Eu tinha 65 anos e ele 68 anos.
- A senhora nunca pensou em ter outro companheiro?
Ela riu alto. – Não!
- Por que?
- A pergunta certa é ‘para que’?
Dei risada.
- Minha filha, eu tinha 65 anos na época. Achava que nunca passaria dos 70 anos. Quase morri quando ele se foi. Fiquei muito triste por muito tempo. Mas um dia eu tive um sonho. Ele apareceu pra mim e perguntou por que eu estava tão descuidada e disse que não gostava de me ver assim. No dia seguinte, fui ao salão de beleza, arrumei o cabelo e as unhas, depois tomei um banho de loja. Na época, tinha uma loja aqui em Brasília chamada Mesbla e outra chamada Sears. Fui nas duas. Comprei um monte de roupas novas. Você chegou a conhecer estas lojas do Conjunto Nacional ou não é do seu tempo?
Respondi que sim. Ela me pareceu aliviada por não estar citando nomes estranhos.
- Desde então, resolvi me cuidar para ele e cuidar do túmulo dele. É o meu jeito de mantê-lo pertinho de mim. Meus filhos ficam preocupados comigo, mas eu prefiro ir sozinha e não incomodar ninguém com as minhas coisas.
Chegamos à rodoviária. Ela agradeceu e perguntou se eu aceitaria tomar um café, num outro dia qualquer. Eu respondi que seria um prazer. Ela se foi, a passos lentos, arrumando a saia, segurando a bolsa elegantemente e deixou para mim uma lição de vida. Ou várias. Mas vou deixar estas lições ao seu critério e ao seu modo de interpretar este encontro fictício com a minha nova amiga de 102 anos.


terça-feira, 22 de julho de 2014

SIONISMO E “CALIFADO”: Semelhanças em seus aspectos e modos de atuação:
 Por: Embaixador Dr. Ghassan Nseir
         Chefe da Missão da Embaixada da República Árabe da Síria

Sionismo:
-  Usou o judaísmo e seus devotos como meio de alcançar seus objetivos políticos e econômicos, que contrariam a justiça e os valores mundialmente reconhecidos. Ele plantou nas mentes dos humanos sua própria interpretação da religião para que esta ocupe o lugar da justiça e do direito concebidos conforme um entendimento mundial.
- O sionismo recorreu a organizações terroristas, tais como a Stern, Haganah, Irgun, Palmach e Leahy para executar seus planos. Estas organizações mataram, massacraram, afugentaram e expulsaram um povo de uma terra que carrega o mesmo nome.
- O sionismo se apoiou em países colonialistas para alcançar seus objetivos.
- O sionismo fez uso de meios modernos de comunicação, colocando-os a seu serviço. Desta forma, ele foi introduzido nos métodos de ensino do mundo todo, nos meios de comunicação, nos bancos e nos centros de decisão política e econômica mundial, destruindo os valores comuns da humanidade e, no lugar deles, construindo novos entendimentos sociais e morais e utilizando-se, para tanto, da militância das organizações não governamentais e das instituições sociais e civis, dentre outras.
- O sionismo golpeou os cristãos, atraiu alguns deles, criou igrejas com nomes variados para servirem aos seus interesses, sendo que estas igrejas não tem nenhuma relação com a verdadeira compreensão da sagrada e agregadora igreja cristã.
- o sionismo alega que está atendendo aos mandamentos de Deus e interpreta estes mandamentos como lhe convém, fazendo com que “Ele” dê as terras a quem bem entender e tire-as de quem bem entender.

“Califado”:
- O “Califado” esticou a religião islâmica e a interpretou ao seu bel prazer e de acordo com os seus interesses. Ele inseriu na mente das pessoas, através de  sua interpretação dos versos do Alcorão Sagrado e dos ensinamentos, que tem o direito à terra e às pessoas.
- O “Califado” se utilizou do terrorismo, das matanças e da destruição através dos grupos terroristas: Al Qaeda, Jabhat Al Nusra, ISIS (Estado Islâmico para o Iraque e a Síria) e Taleban, que utilizam nomes de lideranças históricas do islamismo.
- O “Califado” não aceita a opinião do próximo e sequer aceita o próximo.
- O “Califado” ocupa as terras e controla as pessoas à força, mata e degola com espadas, impõem o dízimo e as oferendas, legitima o ilícito em nome de uma religião da qual se diz seguidor.
- O “Califado” entra na mente das pessoas através de seus métodos de discursos fervorosos e de suas promessas de um paraíso repleto de recompensas que satisfazem os instintos.
- Por trás das hordas de terroristas takfiristas está o movimento wahabista extremista, que inicialmente foi criado pela Grã Bretanha em Najd e Hijaz, na Arábia Saudita, para controlar os campos de petróleo.
- O “Califado” (ISIS, Al Qaeda, Jabhat Al Nusra, etc.) são grupos que impõem sua opinião e seus meios, absolutamente distantes da humanidade e da compreensão dos direitos humanos, através das matanças, das crucificações e da destruição de todas as formas de civilização e urbanismo.
- Estes movimentos encontram apoio nos países imperialistas com o objetivo de dominar as capacidades dos povos.
- Os países imperialistas (a nova colonização) relacionam-se conforme política de dois pesos e duas medidas e, infelizmente, a questão dos direitos humanos na Arábia Saudita não interessa a eles, desde que este país sirva aos seus interesses. Estes países combatem os terroristas em Mali e os apoiam na Síria e no Iraque. Enquanto os direitos humanos são usados como pretexto para matar o ser humano e roubar o seu direito à soberania e a escolher o seu governo nos países que rejeitam a submissão às exigências dos imperialistas.
            Portanto, o Sionismo e o “Califado” são duas pontas de uma mesma lança, semelhantes em seu entendimento, objetivos e até mesmo em seus métodos, com algumas modificações relativas ao ambiente no qual cada um dos dois atua.


·         Wahabismo: Vertente radical do Islamismo, seguida pela Arábia Saudita.

·         Takfirismo: Corrente wahabista que prevê que todo não muçulmano e todo muçulmano na wahabista é infiel e deve se arrepender ou morrer.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

LAURA, MINHA LAURA

Talvez a correria do dia a dia não me permita dizer o quanto eu a amo, mas amo com todas as minhas forças. Não somente porque é minha filha, mas porque a admiro e respeito. Muito muito mesmo.
Ela é a minha referência quando se trata dos assuntos da alma. Sempre ligada ao ser e não ao ter, Laura é uma daquelas pessoas raras, que cultiva dentro de si os valores mais elevados da alma humana.
Quando pequenina, via fadas e conversava com elas. Chegou a me expulsar do quarto por ter assustado uma fada que veio lhe dar um beijinho de boa noite. Meu beijinho acabou ficando em segundo plano. Fazer o que? Fadas tem preferência!
Também adorava corujas e ficava fascinada ao vê-las no muro de casa. Contava todos os dias: “uma coluza, tlês coluzas, nove, dez”. Traduzindo: Viu um monte de corujas. E ria muito! Ria feliz!
O que dizer então dos bichos abandonados na rua. Ela queria levar todos para casa e cuidar deles. Por conta desse impulso, gastei fortunas tratando bichinhos machucados e famintos. Sem falar naqueles que acabaram se mudando de mala e cuia pra nossa casa. Já quebramos recordes em número de gatos. E de pintinhos e codornas.
Ela é assim! Dá valor às pequenas coisas, aos pequenos gestos, aos momentos, às situações. Laura não é ligada à modismos, consumo, imagem e nem se importa muito com as opiniões alheias. Aliás, taí uma característica forte na mocinha. Ela tem opiniões próprias e bem sólidas sobre muita coisa e costuma ser a líder da turma, impondo respeito pelo que é. E ainda tem uma legião de fãs, fiéis e seguidores. Quando falta à aula, a turminha de amigos de sente abandonada e desprotegida. Por que será?
Já levei muitas broncas dessa mocinha. Tantas que já nem sei. Por ser muito rígida em termos de valores e princípios, ela não admite deslizes, mesmo que pequenos. Se eu fizer uma piada de mal gosto, logo ouço a famosa palavrinha: “Mãe!!!!”. Isso significa em Laurês: “Você não pode dizer esse tipo de coisa” ou “Retire o que você disse” ou “Isso é coisa que se diga na frente da sua filha?”.
Laura é vivaz, risonha, alegre, firme, positiva, sonhadora, empreendedora, exemplar, transparente, sedutora, esperta, dorminhoca, preguiçosa, desligada e ligada ao mesmo tempo, perseverante e teimosa. Ela é um pouco de tudo. Ela é um universo!
Laura é charmosa e estilosa! Está sempre inventando moda e sendo copiada. No maternal, usava o cabelo cheio de pequenos coques (molinhas, segundo ela), saia xadrez e botas. Todas as menininhas passaram a copia-la. Na escola, mostrou seu talento para desenho e para contar estórias. E era seguida por uma legião de amigos. Depois veio a mania por mangás (aqueles quadrinhos japoneses..hehehe) e mais uma vez criou uma legião de seguidores.
Agora virou Otaku, só anda com orelhas de gato e um penteado que só ela sabe como se faz. E para piorar, resolveu aprender a falar japonês. Sozinha! Bom, a gente só consegue entender o que ela diz quando ela disponibiliza a legenda. Quando não está a fim, somos xingados sem entender.
Ela é surpreendente, desde a concepção! É verdade! Ela não estava nos meus planos! Quando percebi, já havia um ser crescendo dentro de mim. Foi a mais linda das surpresas! A mais gratificante e a cada dia que passa agradeço à Deus pelo presente maravilhoso que me foi reservado.
Laura é esta dádiva! Um presente dos céus! A minha paz e o meu amor incondicional!

Amo você por tudo e em todos os momentos!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Tudo junto e misturado!

Não sei se abordo um único assunto ou se falo sobre um monte de coisas que me vem à cabeça.
Hoje li uma matéria sobre o aumento dos roubos a casas em Brasília. Que novidade! Brasília já deixou de ser aquela cidade linda e tranquila faz tempo! Fora os roubos a casas, há os assaltos em sinais de trânsito, em estacionamentos, na rua e em qualquer lugar onde a gente dê bobeira. Fora os sequestros relâmpago, assassinatos por motivos banais, estupros e brigas no trânsito. É tanta violência que eu cansei até de enumerar! E ainda tem gente que acha que bandido tem conserto.
Me perdoem a minha intolerância, mas acho que a punição severa é o único caminho para conter a violência no Brasil. À partir do momento em que o criminoso for tratado como criminoso e ser punido adequadamente pelo crime que cometeu, os bandidos vão pensar duas vezes antes de cometer um crime. Já pensou se esses criminosos fossem usados para construir estradas, estádios, parques e afins? Já pensaram que a redução de pena deveria ser por merecimento em troca de trabalhos prestados à sociedade? Por que os bandidos tem que ficar enfurnados dentro das cadeias dormindo, falando ao celular e tramando o próximo crime? Coloquem eles pra trabalhar e pra compensar o tal de auxílio reclusão que é pago à família do meliante. Quero ver, se depois de adotar medidas como estas, se vai ter tanta gente assim se dispondo a entrar para a vida do crime!
Sim, estou mal humorada!
Deve ser minha alergia ao meu aniversário! Descobri que tenho alergia a ficar mais velha. Que saco isso! Não sei quem foi o fdp que disse que o auge da vida é a maturidade. Seja quem for, é um babaca! Não sei qual é a vantagem de ficar mais velho. Fora o tronco que vai ficando mais grosso e a cintura que toma proporções de um kibe, ainda tem o efeito retardado daquelas pancadas que a gente levou na juventude e que agora resolveram dar o troco, como o meu joelho que fica latejando toda vez que esfria. PQP! Esse foi o resultado de andar de skate na Jordânia, de levar tombos de bicicleta em Uruguaiana, de um acidente de mobilete em Brasília e de inúmeras pancadas na mesa do escritório, quando o chefe chama e eu estou pendurada no Facebook! Culpa é uma merda!
Sem falar que estou indignada com o FHC que não para de falar besteiras, de estar revoltada com rumos das obras da copa do mundo, de estar revoltada com as freiras do Colégio Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Odeio freiras! Aquelas mulheres tem o coração gelado e não se comovem com nada! Nada mesmo! A minha teoria para as mulheres que resolvem virar freiras é que elas não tiveram nenhuma outra opção na vida, porque ninguém as quis, porque são rancorosas e porque precisam de um disfarce pra esconder tanta maldade e tanta hipocrisia. Não tem outra explicação!
Falando em maldade e hipocrisia, li na página do Lattuf um comentário interessante. Ele perguntou por que os países ocidentais tem toda a contabilidade das armas que o exército da Síria possui e recebe da Russia e do Irã, mas em compensação ninguém sabe qual é o poderio dos chamados "rebeldes", que recebem armamento de alguns países da União Européia e dos Estados Unidos da América? Bem pertinente a pergunta! Complementando o comentário, hoje eu estava assistindo a Globo News e achei bem interessante a forma como a apresentadora do jornal relatou a repressão às manifestações na Turquia (queridinha do ocidente), dizendo que o governo turco pediu desculpas à população pelo "exagero" da polícia turca na repressão às manifestações contra o governo. Logo em seguida, a mesma apresentadora noticia que o exército do "ditador Bashar Al Assad" esmagou os "rebeldes" na cidade de Al Kussair. Mesmo depois de todos os relatos de que estes rebeldes são extremistas da Al Nusra, braço armado da Al Qaeda, e que cometeram assassinatos em massa nesta mesma cidade, a imprensa insiste em chama-los de rebeldes e trata-los como coitadinhos. Podemos chamar de rebeldes os sírios que lutam contra o regime atual e que reivindicam maior participação na vida política do país, mas chamar de rebeldes extremistas que sequer são sírios e que foram "importados" para a Síria para estabelecer o caos no país? Aí já é demais! O pior é que estes extremistas acham que estão lutando contra Israel e nem sabem em que país estão e nem porque. A maioria deles nem fala árabe e são pagos para matar e somente matar. E ainda tem gente que acredita que a luta que se trava na Síria é pela democratização do país. Fala sério!
Está parecendo os judeus querendo fazer o mundo acreditar que a culpa da paralisação do processo de paz é dos palestinos. Eles continuam a colonização dos territórios palestinos, derrubam casas, matam pessoas, queimam plantações, prendem crianças, sabotam as negociações e a culpa é sempre dos palestinos, segundo os judeus e a imprensa mundial. E tem gente que acredita na imprensa!
Eu tive algumas experiências interessantes com alguns jornalistas, principalmente os iniciantes na profissão, que vieram me entrevistar algumas vezes. Uma delas foi uma menina recém formada que não entendia a diferença entre judeu, cristão e muçulmano. Outra que não sabia nada sobre a história da Palestina e outra que achava que os palestinos tinha invadido Israel. Quanto aos jornalistas mais experientes, estes tem uma formação baseada no que já foi definido pelos judeus sionistas como História e falam com propriedade sobre "fatos" históricos que de fatos não tem nada. Um deles chegou a me dizer que a Palestina nunca existiu e que era uma colônia britânica antes de ser "entregue" à Israel. Este com certeza nunca leu a bíblia e nunca se deu ao trabalho de se aprofundar na história da humanidade. Fazer o que?
Ah, cansei! Tô de saco cheio de tanta coisa errada! Vou me recolher à minha insignificância por hoje e me entregar à uma bela dor de dente decorrente de um tratamento de canal que fiz ontem. Isso dói pra cacete!!!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Passivos

Passividade. Taí uma palavra que me incomoda. Mesmo. Com tantos acontecimentos no mundo, no país, na cidade, no bairro, em casa, vejo pessoas que apenas observam e ignoram os fatos, como se só o seu mundinho importasse. Como se mais nada fosse importante. 
Há pessoas morrendo na Síria, na Palestina, no Mali, em São Paulo, em Brasília, no Guará, em Planaltina, no bairro ao lado do meu condomínio, vítimas de uma violência desenfreada e descabida, mas todos os protestos de restringem a um "post" no Facebook ou a uma expressão vazia de indignação.
Os norte-coreanos ameaçam jogar uma bomba nuclear nos americanos, os americanos ameaçam o Irã, que ameaça Israel, que ameaça os palestinos e as pessoas assistem aos telejornais e soltam um: "Que absurdo!" e pronto. É isso! Só isso!
Bocas de lobo engolem crianças em Planaltina, viciados em crack matam um pai de família a pancadas  no Guará, policiais são assassinados em São Paulo por quadrilhas, taxistas assassinados por bandidos em todo o lugar do Brasil, a polícia atira por engano e mata um universitário em Taguatinga, mulheres e turistas são assaltadas e estupradas dentro de vans no Rio de Janeiro, uma professora é morta no Parque da Cidade por um delinquente em troca de R$ 15,00 e nós só assistimos e dizemos: "Que absurdo!" e deu! 
Nos contentamos em não estacionar o carro num lugar ermo, em não andar em locais perigosos, em não dar bandeira com assessórios e celulares chamativos e pronto. Evitamos enfrentar o problema. Assim é mais fácil. De vez em quando organizamos um protestozinho insignificante aqui e ali, que os políticos assistem da janela de seus gabinetes, dando risadas e fazendo apostas sobre quanto tempo "aqueles desgraçados" vão aguentar debaixo do sol ou da chuva. Eu ouvi, pessoalmente, estes comentários de alguns políticos. 
Quanto ao nosso sentimento universal, este está para lá de abandonado. Quem é que liga para as crianças na Palestina, na Síria, no Mali, na Etiópia, no Burundi ou no Congo? Quem é que se preocupa com os cristãos assassinatos pelos extremistas muçulmanos na Síria ou com os afegãos sitiados entre as forças americanas e os talebãs? Já temos tantos problemas, não é mesmo?
Daí vem a famosa pergunta: "E o que eu posso fazer?". Se você espera que eu diga: "Proteste!", se enganou! Eu digo que cada um deve usar as armas que tem: Voto, solidariedade, trabalho voluntário, doações, conscientização, informação, um tempinho do seu dia e sim, o uso das redes sociais como ferramenta de atuação política e social pelo bem de todos. Uma atitude positiva neste sentido, a cada dia, faria uma diferença enorme ao final de um ano. 
Não dê esmola no semáforo à um bêbado ou um viciado em crack. Não acredite em tudo o que os telejornais falam, compare as notícias com outras fontes. Não compactue com a violência, exija seu direito através do voto e se seu candidato não cumprir o que prometeu, cobre dele ou exija a anulação de seu voto.  Se as crianças estão morrendo em outros países, organize-se com outras pessoas que queiram ajudar e mande doações, remédios, roupas, alimentos e água mineral. Você não imagina a diferença que vai fazer na vida delas. E tente não ser apenas mais um a assistir às atrocidades do mundo de forma passiva.
Afinal, passividade é para quem não tem personalidade.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Vestido de Noiva

Parei ontem para escolher o meu modelo de vestido de noiva. Vi uma infinidade de modelos e me apaixonei por alguns. Muitas rendas, sedas, bordados, pedrarias, tules e materiais belíssimos. Tocaram meu coração mas não a minha alma. De todos os que vi, o único que foi capaz de tocar o meu coração e a minha alma ao mesmo tempo foi um vestido de noiva palestino, branco com bordados vermelhos em ponto cruz, uma faixa de cetim vermelha e um véu branco com crochê nas bordas. Perfeito!

Esse aí mesmo!
Eu sei que não se parece em nada com os vestidos de noiva tradicionais e nem tem todo aquele glamour e impacto causado por um vestido branco esvoaçante. Mas este tem a minha identidade, a minha origem, a minha história e desperta em mim a ternura de tempos em que via a minha mãe se esmerar em bordar, por meses a fio, vestidos para a minha avó, que os usava com muito orgulho nas ocasiões especiais. 
Também fizeram parte da minha infância na Jordânia, nos casamentos, quando as mulheres se orgulhavam de mostrar o bordado maior e mais largo em seus vestidos para provar que eram prendadas e legítimas bordadeiras palestinas. Quanto mais largo é o bordado, mais prendada é a mulher. E quanto mais cores tiver, mais caprichosa ela é. 
Minhas filhas quase enlouqueceram com a minha sugestão de usar um vestido assim. Querem ver a mãe num vestido tradicional de noiva. Nada de invenções! Minha filha Laura disse: "Será que daria para você esquecer a Palestina, pelo menos no dia do seu casamento?". Esquecer a Palestina? Como? A Palestina sou eu! A Palestina está em mim! Em cada um dos meus sentidos. Não há como esquecer a Palestina. Taí um pedido impossível de ser atendido. 
Posso até usar um vestido tradicional, mas ninguém tira a Palestina de mim. Ninguém! Amo a minha origem, o meu sangue, a minha história e a minha identidade. Não abro mão de nada que se refira à Palestina. Esta sou eu!

terça-feira, 26 de março de 2013

Lara, meu anjo, minha filha, minha vida!

Ficaria horas aqui escrevendo sobre os predicados de Lara e Laura. Talvez dias! São tantos que nem sei por onde começar.
Hoje é Aniversário da Lara. Minha garotinha completa 14 anos de idade e de muita emoção. Lara foi meu primeiro presente celestial. Um anjo bom que veio para colorir a minha vida.
Quando nasceu, chamou a atenção de toda a equipe do hospital pela brancura excessiva da pele, pelos olhos verdes arregalados e por uma juba moicana avermelhada no lugar do cabelo. Um espetáculo de bebê. Não tinha cara de joelho e nem o aspecto de um bebê recém nascido. Pelo contrário, nasceu com um olhar esperto, curioso e manhas de um bebê de um mês de idade.
Achei que tamanha esperteza dos primeiros momentos fosse só impressão de uma mãe bobona de primeira viagem. Mas não me enganei nem por um segundo.
Lara cresceu e surpreendeu. Primeiro pela beleza, já que suas feições tomaram proporções angelicais. Cabelos loiríssimos, cacheados nas pontas, olhos verdes brilhantes, pele alva como uma nuvem e uma risada pra lá de gostosa. Encantava a todos, próximos e distantes. Dava shows à parte com seu visual sempre exótico, primeiramente cor de rosa, depois colorido com jeans e por último preto.
De tão linda, as pessoas me pediam para parar e admira-la. Já chegaram a pensar que se tratava uma boneca, quando uma vez ficou parada, pensativa, num shopping. Uma mulher chegou a cutuca-la para ver se era de verdade. Não foi a única vez. Em alguns shows de rock, a mocinha deu seu show particular com seu visual gótico e com sua aura sempre reluzente, juntando pessoas à sua volta para perguntar sobre a cor do cabelo, os acessórios, a pele, a maquiagem, etc.
Lara é surpreendentemente inteligente. Além de ganhar, por duas vezes consecutivas, o prêmio nacional de redação do CGU, sempre foi aluna destaque nas escolas que frequentou. No jardim de infância, mostrou a que veio já que foi autodidata. Aprendeu a ler e escrever sozinha, identificando e juntando letrinhas. Também deixou suas professoras boquiabertas ao cantar uma música inteira do Renato Russo, sua primeira paixão musical, sem gaguejar. Isso antes de completar três anos. Aos quatro anos mostrou-se fera em matemática e desenho e aos cinco já criou os seus quadrinhos com a personagem Elisa, uma gatinha branquinha muito esperta.
Já foi indicada para a Escola Militar pelo destaque nas notas e ganhou uma bolsa de estudos numa renomada escola de Brasília pelo seu desempenho.
Se suas qualidades parassem por aí, já estaria muito bom, mas tem muito mais. Lara é amiga, companheira, leal, sensível, alegre, vívida e por que não dizer pacata. Mesmo sabendo de todos os seus predicados, esta mocinha age de forma simples, amigável, tolerante e sociável. Um docinho! Todos gostam dela, todos querem se aproximar dela, todos querem falar com ela, todos querem ser seus amigos, todos a admiram.
É claro que ela desperta inveja. Sem dúvida! Ela já passou por momentos complicados com isso. Já ouviu desaforos, já ouviu indiretas, já foi vitima de chacotas, enfim, enfrentou tudo o que uma garota como ela enfrentaria. A diferença é que ela sempre tirou de letra. Lara sabe olhar nos olhos das pessoas e identificar sentimentos. E sua tolerância e educação a fazem sobressair de qualquer situação difícil. Isso sem ser arrogante ou petulante. Sempre foi honesta com todos, até com aqueles que não suportam seu brilho.
Ela passou por uma fase cruel, onde a vaidade de menina falou mais alto, sofreu com uma anorexia, pagou o preço da vaidade, enfrentou todas as críticas inerentes ao seu estado, todos os olhares preconceituosos e falatórios maldosos. Mas, surpreendentemente, deu a volta por cima e esta aí mais linda do que nunca e mais saudável impossível.
Lara é uma pessoa obstinada. Sabe o que quer e como quer. Não mede esforços para alcançar seus objetivos e talento não lhe falta. Questionadora, está sempre à frente da sua turma. Nunca se conformou com idéias prontas e sempre acha que tem um jeito de melhorar as coisas. Perfeccionista aos extremos, disciplinada, organizada e mandona, está sempre querendo colocar ordem em tudo o que está à sua volta. Nisso, pessoas comuns como esta que vos escreve, pagam um preço salgadinho para manter um ambiente aceitável para a mocinha.
Uma vez, um cartomante me disse que a Lara seria uma adulta insuportável e incompreendida, dado à sua obstinação. Até concordo em parte, visto que ela não abre mão daquilo que acredita. Mas o que ele não conseguiu ver é que a mocinha é tão esperta que consegue chegar onde quer com o aval de todos. Diria que tem talento para a diplomacia, mas não desejo isso à ela, por experiência própria.
Lembrei do dia em que ela conseguiu convencer sua professora do primeiro ano ao questionar a palavra "biblioteca". Ela perguntou à professora por que não "livroteca" já que é cheia de livros. A professora tentou, em vão, explicar a lógica da origem "biblio" que quer dizer livro em latim. A mocinha então questionou que se a palavra "biblio" foi traduzida para "livro" em português, então nada mais justo do que usar "livroteca" ao invés de biblioteca. Isso com seis anos de idade!
Essa é a minha Lara! A minha linda Lara que eu amo tanto!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Respirando!

Quem disse que alguém pode ter o controle sobre a própria vida? Se alguém me disser que sim, eu vou dar uma boa gargalhada!
Por mais rígidos que sejamos conosco e com tudo o que está à nossa volta, sempre surgem os imprevistos, os percalços, os acidentes de percurso, os erros.
Vejo pessoas à minha volta com agendas na mão, papel e caneta para fazer cálculos, tablets cheios de planos e projetos, cada segundo do dia devidamente calculado para não se perder tempo com bobagem. Ah tá! Mas será que estas pessoas estão no caminho certo? Será que estão enxergando de fato o que as faz feliz? Será que a vida se resume a estabelecer metas e cumpri-las?
Não sei não!
Eu tenho algumas metas e alguns projetos! Passei quase um ano e meio correndo contra o tempo para cumpri-las. Sabe o que eu ganhei com isso? Uma carga excessiva de estresse, noites de insônia, dores de cabeça avassaladoras e muita frustração.
Parei a alguns dias para pensar nisso. E se eu estiver trilhando o caminho errado? E se tudo o que eu fiz foi um esforço em vão? Será que não existem outros caminhos? Será que o meu raciocínio está correto?
Quando consegui parar mesmo e pensar nas minhas atitudes, descobri que fui muito afoita em alguns momentos, muito negativa em outros, muito ansiosa o tempo todo e que tudo isso só tem atrapalhado a minha capacidade de racionar e sintetizar as coisas.
Tudo bem que o ritmo de vida em Brasília não contribui em nada para que você tenha tempo de parar e pensar nos seus atos, mas daí a levar tudo a ferro e fogo só nos consome, exaure nossas energias e venda nossos olhos.
Tudo bem querer realizar as metas o mais rápido possível, mas é preciso dar tempo ao tempo, respirar, mentalizar as coisas positivas, sorrir, relaxar, ouvir uma música, meditar e entender que o universo gira em seu ritmo, não no nosso.
Lembrei das tardes de Rosário do Sul - RS, quando meus pais fechavam a loja, iam para casa, faziam um chá e sentavam-se na calçada para jogar conversa fora, junto com vizinhos e amigos. Mesmo com todos os problemas, as pessoas tiravam um tempo para o lazer, para a conversa frouxa e descomprometida, para as piadas e risadas, para aquecer o coração com as coisas boas.
Hoje só vemos pessoas correndo contra o tempo, sempre preocupadas com os compromissos, com metas a serem atingidas, com as aparências e o consumismo desenfreado, com a busca incessante da perfeição, com a busca do status e da riqueza.
Dormimos mal, comemos mal, amamos mal, respiramos mal, vivemos mal. E tudo isso para atingir metas. E qual é a meta? Ter uma vida confortável? Então gastamos todo esse tempo vivendo mal para ter uma vida confortável? Qual é a lógica? Em que momento a vida se torna, de fato, confortável?
E se reprogramássemos nossas vidas para ter momentos diários de conforto? Não seria esta uma forma de se ter uma vida confortável? Ou será que o conforto está intrinsecamente ligado ao dinheiro? Não creio! Ninguém precisa de tanto dinheiro assim para tomar um cafezinho com a família e os amigos. Ninguém precisa de luxo à sua volta e roupas caras para dar risadas. Exceto as pessoas fúteis, é claro, que vêem nisso o valor máximo da vida. Mas estou falando de pessoas essenciais, que se perderam no meio da corrida pelo ouro. Pessoas como eu que agora questionam tudo isso.
Há tantas coisas à nossa volta que precisam ser vistas. Tanto boas quanto ruins. O nosso parâmetro de comparação não deve se resumir a pessoas do nosso nível. Temos que ter uma visão mais universal das coisas. Por exemplo, não tenho um padrão de vida elevado, mas o meu vizinho tem um bem pior e precisa fazer acrobacias para pagar a conta de luz. Não tenho roupas caras, mas doei algumas roupas que fizeram uma família inteira feliz. Não posso pagar contas caras em restaurantes elegantes, mas sei cozinhar e posso comprar os ingredientes que preciso. Não tenho um emprego dos sonhos, mas o meu emprego paga as minhas contas e ainda sobra um trocado para bancar alguns bons momentos.
Não estou fazendo uma apologia ao relaxamento, mas sim uma defesa da vida simples. E não estou dizendo que não devemos lutar pelos nossos objetivos e sim que devemos buscar alcança-los sem pagar o preço com a nossa saúde e a nossa felicidade.

terça-feira, 5 de março de 2013

Muçulmanas: Com ou sem véu?

Tive que dar uma gargalhada diante de tal pergunta. "Como é que você pode ser uma muçulmana, se você não usa véu?". Hã? E qual é o problema de ser uma muçulmana e não usar véu?
Foi aí que me veio à mente as imagens dos filmes hollywoodianos, onde sempre mostram as mulheres muçulmanas cobertas dos pés à cabeça, andando cabisbaixas e com uma atitude submissa.
Foi essa a imagem propagada aos quatro cantos do mundo. Até hoje, não vi nenhum programa, filme, documentário, novela ou noticiário mostrando a mulher muçulmana moderna. Nenhum meio midiático está interessado em mostrar esta nova mulher independente, atualizada, conectada, ligada nas tendências da moda e, sobretudo, dona do próprio nariz. Não faz sentido para a mídia ocidental desmitificar aquela figura horrível, construída com trabalho árduo e muita manipulação. Definitivamente, não é este o objetivo do ocidente. Basta lembrar da novela global O Clone, onde as mulheres muçulmanas não trabalhavam, não contribuíam para o orçamento da família e ainda eram gastadeiras e só pensavam em maridos e ouro...muito ouro. Esta é a imagem que querem perpetuar de nós muçulmanas.
Mas estamos à anos luz desta imagem. Hoje, a mulher muçulmana tem formação universitária, só se casa quando já tem um emprego rentável, só tem filhos quando decide tê-los e está ao lado do homem para construir uma família e não atrás dele.
São mulheres com a autoestima em dia, donas de si, seguras em seus propósitos e que só usam o véu por opção, nunca por obrigação ou imposição. Vale mencionar que a independência financeira e o poder aquisitivo das mulheres muçulmanas lhes permitiu o direito de escolha. Ou seja, foi um direito conquistado com perseverança e com a preservação dos valores femininos. Isto lhes garantiu serem vistas e tratadas com respeito pelos homens, que atualmente lhes conferem certa idolatria.
Definitivamente não gosto de comparações, mas às vezes me vejo obrigada a fazê-las diante de certos argumentos. Vamos ver a situação das mulheres ocidentais de hoje. Ganham 40% a menos que os homens, são escravas da imagem (leia-se magreza), sua autoestima anda bastante abalada devido ao entendimento errôneo da liberdade sexual, na qual os homens saíram mais beneficiados, estão arrependidas de pedir direitos iguais, fato que lhes acarretou obrigações iguais e uma tripla jornada, estão sobrecarregadas, estressadas e vulneráveis. Agora vamos à situação das mulheres muçulmanas. Elas não entraram na luta por direitos iguais mas souberam conquistar seu espaço no mundo moderno, são dóceis e sabem como fazer bom uso de sua feminilidade para atingir seus objetivos, que em princípio parecem pequenos, mas são bastante relevantes, são independentes financeiramente e equilibradas emocionalmente. Basta observar de perto um lar com uma família muçulmana moderna, onde o homem participa ativamente da criação dos filhos, contribui para as tarefas domésticas e enxerga a mulher como companheira de luta.
Se o ocidente continua fazendo uma relação direta entre véu e submissão, sinto muito pelo erro grotesco. O uso do véu é opcional na religião muçulmana e a criatividade feminina o transformou num item indispensável de moda, um verdadeiro charme que realça nossos exóticos olhos orientais.
Se você, que está lendo este texto, não quer passar por uma pessoa desinformada, procure ler sobre o papel da mulher no mundo árabe e muçulmano, incluindo países como Irã e Afeganistão, onde, apesar do radicalismo, as mulheres conquistaram posições de respeito na política e chegam a ocupar mais de 20% dos cargos importantes, ao contrário dos países ocidentais, onde o papel da mulher continua relegado a um segundo plano.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Cegueira

Enquanto procurava imagens de flores no Google Images para desejar um bom dia aos meus amigos de Facebook, me deparei com uma imagem que me deixou paralisada: Duas crianças africanas famintas com as mãos estendidas, uma para pegar o alimento doado por algum voluntário e a outra com uma flor murcha sendo entregue a este mesmo voluntário.
Fiquei pensando na quantidade de "posts" que publicamos, diariamente, falando de inveja, de lições de moral, de poesias, de alfinetadas, de bichinhos bonitinhos, de bichinhos abandonados mas pouquíssimas falando destas crianças que foram abandonadas pelo mundo.
Não falo só da África. Estas crianças estão espalhadas por toda parte. Aqui mesmo, na capital federal do Brasil, temos crianças dormindo debaixo de viadutos, abandonadas à própria sorte e expostas à um mundo cada vez mais cruel, desumano e indiferente.
Certa vez, um menino desses de rua me abordou pedindo dinheiro para comer. Falei que não daria o dinheiro porque sei que alguém vai tirar dele, mas estaria disposta a pagar uma refeição para ele. Ele aceitou e paramos no primeiro restaurante, onde um dos garçons nos atendeu a contragosto, já que o menino se encontrava num estado lamentável de higiene. Ele pediu um daqueles pratos prontos, com direito à tudo. Comeu de forma metódica, separando sempre uma parte de todos os ítens que estavam em seu prato. Fiquei intrigada e perguntei o porquê daquela atitude. Ele então me disse que nem todas as pessoas entendem que ele e seu irmão querem apenas comer e sempre acham que querem comprar drogas ou bebidas alcoólicas. Aquela porção separada em seu prato era para o seu irmão de cinco anos que o estava esperando perto do semáforo.
Travei uma batalha árdua com minhas lágrimas e o confortei dizendo que pagaria outro prato de comida para o irmão mais novo.
Perguntei onde estavam os pais dele. Ele me disse que não conheceu o pai e que a mãe estava "muito doente" internada num hospital. Perguntei então se não tinha mais parentes e ele fez que não com a cabeça.
Seu nome é João e o nome do irmão é Isaac. Tinha sete anos.
Assim que ele terminou de comer, pedi que trouxesse o irmão para se alimentar também. Ele correu e voltou logo em seguida com o irmãozinho, mostrando para ele a "dona legal" que ia pagar a comida. Assim que o irmão terminou de comer, perguntei onde a mãe deles estava internada, mas eles não souberam me dizer. Fiquei pensando numa forma de não deixar aquelas duas criaturinhas abandonadas na rua e logo descartei as instituições do governo, visto que o ambiente seria tão ruim quanto o da rua.
Como eu morava perto do Centro Islâmico, resolvi arriscar e pedir ajuda ao sheikh para encontrar uma solução para o problema dos dois anjinhos. Ele ficou reticente e disse que de qualquer forma teria que avisar as autoridades brasileiras sobre o caso deles. Concordei, visto que não poderia hospeda-los em minha casa.  Havia um dormitório abandonado no Centro Islâmico e consegui, depois de muita teimosia, fazê-los tomar um banho enquanto saí para conseguir umas roupas com uma amiga que tinha filhos da mesma idade. Na volta, os dois estavam dormindo um sono profundo, talvez resultante do cansaço de vários dias de sono irregular e de comer sobras em lixeiras. Passados dois dias, consegui arrancar deles o nome completo da mãe, que estava internada no Hospital de Base com uma pneumonia grave. Fui visita-la e contei que tinha encontrado seus filhos. Ela chorou muito e disse que os tinha deixado aos cuidados de uma vizinha, que era empregada doméstica e que morava em Santo Antônio do Descoberto. Tratei de acalma-la, dizendo que seus filhos estavam bem e relatei o que tinha acontecido. Ela recebeu alta quatro dias depois e fui busca-la no hospital em companhia de João e Isaac. Consegui também algumas doações com os meus colegas de trabalho e algum dinheiro, já que a dona Josilda, a mãe, não poderia trabalhar tão cedo.
Foi aí que me dei conta que devem haver milhares de joões e isaacs pelas ruas da cidade, do país, do mundo, entregues à própria sorte e incompreendidos pelos corações endurecidos, que sequer notam sua presença.
Não é só na África que temos crianças famintas. Não é só para lá que precisamos mandar doações e coloca-las em mãos de ONGs duvidosas. Que tal começar por aqui mesmo? Que tal lançar um olhar mais cuidadoso aos que estão à sua volta. Uma atitude simples pode mudar a vida de uma pessoa. O que seria de João e Isaac se eles tivessem se perdido de sua mãe? Nem todos os que estão nas ruas são bandidos que vão te assaltar. Muitos só precisam de um minuto da sua atenção e um pouco de espirito humano.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Dezesseis anos

Acordei, sonolenta, com dezesseis anos. Sim, com dezesseis. Cheguei a sentir o cheiro de chá com sálvia preparado pela minha mãe. Os raios de sol invadiram o quarto por uma fresta no alto da janela, tal qual era o meu quarto em Uruguaiana.
Que sensação estranha! Depois de abrir os olhos pela segunda vez, descobri que estava no presente, em meu quarto atual. Tanto tempo se passou. Me vieram lembranças estranhas de umas fotos do Michael Jackson coladas na parede, do lado da minha cama, um armário muito bagunçado, o teto branco, uma estante com uma coleção de livros clássicos, desde Machado de Assis, passando por Leon Tolstói e Dostoievsky. Adorava ler e reler o romance de Moll Flanders.
Minha visão embaçada rebuscava na memória um cobertor xadrez vermelho e um lençol bordado nas extremidades. Ouvi a voz da minha mãe me chamar para ir ao colégio. Que frio! Não quero ir. Mas se ficar vou ter que arrumar a casa. Não, é melhor levantar e encarar o frio.
Minha memória vagou novamente e foi parar na penteadeira onde havia uma pasta azul de plástico e um caderno velho onde eu anotava alguns pensamentos. Acho que morreria de rir se encontrasse aquele caderno. Eram ideias bobas, sem sentido, pensamentos ingênuos de uma época em que predominavam os amores platônicos.
Vagando pelo meu antigo quarto, encontrei uma caixinha de maquiagem que ganhei da minha tia, quando morava em Amã. As cores eram berrantes. Uma sombra verde bandeira, uma azul, um blush rosa, um delineador verde e um brilho labial muito vermelho. Fazia sentido usar aquelas cores quando eu tinha doze ou treze anos, mas aos dezesseis me pareceram absolutamente improváveis.
Depois de muita resistência, levantei da cama e vesti uma blusa de lã branca que a minhã mãe tricotou para mim e uma calça jeans pra lá de surrada. Meu tênis estava molhado, portanto teria que usar uma bota preta, cheia de tachinhas, estilo Virginie, vocalista do Metrô ou a Paula Toller nos anos 80. O exagero era moda.
Na sala, havia uma mesa de madeira, cercada de muitas cadeiras. Seis iguais e duas improvisadas pelo meu pai. Eram cadeiras feias, desgastadas pelo tempo, mas davam uma cara de lar àquela casa. O café da manhã era sempre muito farto. Zaatar, ovos fritos, queijos, azeitonas, coalhada seca, tomate e pepino, chá preto com sálvia ou café ou uma vitamina com bolacha maria, a famosa "batida" da Dona Âmina. Bons tempos. Hoje o meu café da manhã consiste num copo d'água e uma fruta que devoro enquanto dirijo.
Caminhando pela 7 de Setembro, rua onde eu morava, vou escorregando na geada que se formou na calçada. Ainda bem que naquela época os muros eram baixos e a gente ia se apoiando neles. A escola ficava bem longe, uma caminhada de cerca de 25 minutos. Mas a sensação era boa. À medida que ia andando, alguns colegas iam se juntando à mim, formando um grupo numeroso e animado. Logo esquecíamos o frio e a brincadeira corria solto.
O despertador toca pela terceira vez e me traz de volta ao presente. Preciso tomar um banho, dar ração aos meus bichinhos, improvisar um lanche, fazer minha maquiagem, achar uma roupa em meio ao caos do meu armário e verificar se está tudo certo antes de sair. É, bons tempos! Preferia continuar vagando nos meus dezesseis anos!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Expediente


Meu inconsciente diz:  São só mais algumas horas.
Meu cérebro diz: Horas valiosas perdidas.
Uma lagartixa no pátio me distrai. Fica ali, inerte, ao sol. Couro estranho esse da lagartixa.
Tantas mudanças por fazer e eu aqui de mãos amarradas observando uma lagartixa. Quem foi que inventou essa coisa de expediente? Por que não podemos simplesmente cumprir nossas tarefas e utilizar nosso tempo a nosso favor? Felizes são os que trabalham na Microsoft e podem escolher os horários de trabalho, desde que cumpram suas funções.
Enfim uma tarefa. Algo que posso cumprir em cinco minutos. Bom, pelo menos o meu salário está sendo justificado.
Tarefa idiota! Eu poderia fazer isso de qualquer lugar do universo!
Tem uma mancha na parede da minha sala. De terra. Como é que alguém conseguiu fazer isso? Será que o jardineiro encostou a mão ali sem querer? Vai saber!
Um telefonema. Vou dar uma informação. Muito bom. Mais uma justificativa para o meu ganha-pão.  Mas que diabos estou fazendo aqui? Logo eu com essa minha mente inquieta, fervilhante? Por que nunca consegui me acomodar? Por que não aceito regras? Por que simplesmente não sei ficar no meu lugar?
Eu tenho projetos. Muitos projetos. Preciso de grana. Pouca grana. Nada demais. Nada surpreendente. Quero montar uma empresa, escrever um livro, fazer artesanato, aprender a tocar um instrumento, colocar o meu blog em dia. Tanta coisa que quero fazer!
Quero sair daqui. Meu amor me espera bem ali. Seria tão simples, mas é complicado. Claro, tinha que ser complicado, afinal trata-se desta pessoa que vos escreve. Nada é simples quando a pessoa em questão sou eu.
A lagartixa se moveu. Até que enfim um movimento! Pelo menos ela pode se mover.
Sinto um acúmulo de ideias inúteis. Preciso fazer uma faxina mental. Destas em que descartamos tudo o que já não tem mais serventia. Valores antigos, hábitos antigos. Acumulei tanta bagagem ao longo da vida e agora sinto que boa parte dela só serviu de peso morto. Preciso de leveza.
Não! Isso não é um desabafo. Estou apenas liberando fantasmas! E queimando algumas bruxas!
A lagartixa se foi! Sortuda! E eu aqui, cumprindo expediente!

domingo, 25 de março de 2012

O passado veio me visitar!

Ah, o passado. Quem pensa que ele passa e pronto está enganado. Ele sempre volta. Bem depois, é verdade, mas volta. Talvez para nos dar uma lição, talvez para nos dar prazer. Para os que acreditam nos astros, este retorno é tão somente o fechamento de um ciclo. Para os que acreditam no destino, ele é tão somente um acerto de contas. Para os românticos, é reviver. Para os descrentes, ele veio para atormentar. Para quem ama a vida, é mais um experiência. Para quem não liga, é só coincidência.
O passado é a base de tudo o que vem depois. Pode ser logo em seguida ou daqui a vinte anos. O passado é inteligente e sorrateiro. Chega sem avisar e nos coloca frente a frente com nós mesmos. Meio cruel também, porque talvez preferíssemos esquecer.
O passado é bonito porque trás consigo o frescor da juventude e nos faz rir de nós mesmos. Que ridículos fomos e quão felizes éramos. E aquelas roupas? E o cabelo? E as camisetas de bandas e heróis? E aquele botton no casaco jeans? E o tênis All Star vermelho ou branco? Por que diabos eu perdi aquele boné?
E os amigos? Ah, esses são um capítulo à parte. Os amigos ficavam com a gente por horas à fio, apenas para ficar junto. Nem tinha tanto assunto assim, mas cada um tinha algo a contar, completando o pensamento do outro ou interrompendo, não importa.
E as paqueras? Cada mico que a gente paga! Aquelas frases prontas e gaguejadas, o ritual de se preparar para um encontro, aquela roupa que era linda um dia antes, mas no dia do encontro parecia horrível, a espinha que resolvia aparecer justo no dia mais importante de todos e o cabelo que se rebelava nos últimos cinco minutos antes de sair de casa.
E os amores secretos, inconfessáveis? Ah, estes acabam nos acompanhando pela vida toda. São nosso segredo, nosso tesouro, nosso melhor momento quando estamos à sós. Aliás, estes amores são nossos melhores companheiros na hora da solidão, nosso refúgio na hora da decepção e nosso acalanto na hora da dor. Nossos amores secretos costumam ser perfeitos, serenos, solares e cúmplices.
E o cheiro do pão com manteiga no café da manhã? E aquele sono a caminho da escola? E os colegas que iam se juntando pelo caminho até formar um bando? E a caneta que sempre secava na hora da prova? E o lanche que acabava sendo coletivo por questão de solidariedade ou educação? E a vaquinha pra comprar a Coca-Cola na lanchonete? E a rodinha de bate-papo na hora do recreio? E o último LP do The Cure ou Sex Pistols?
E por falar no passado, ele tem me procurado muito ultimamente, cheio de gratas surpresas. Descobri, por exemplo, que eu não era invisível na escola. Também descobri que me achavam bonita. Que coisa! Justo eu que me achava o patinho feio da turma. Descobri que pessoas especiais, apesar do tempo, permanecem especiais. Descobri que um sentimento bom jamais se perde. Ele apenas se esconde em casulos discretos, quase imperceptíveis, para abrir as asas na hora em que menos esperamos.Descobri que respeito e a admiração são perenes. Descobri que rugas são causadas por uma vida cheia de boas risadas e não efeito de  envelhecimento e que cabelo branco pode ser um charme, se assumido com classe.
Dependendo da forma como você olha o seu passado, somadas as perdas e os ganhos, o saldo pode ser positivo, dependendo de como você assimila o resumo da sua vida.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Cenário Árabe

Não, não abandonei meu blog, apenas estive ocupada com os trabalhos sobre a crise na Síria, que tem me exigido tempo quase integral.

Hoje, vou aproveitar a folga de carnaval para colocar a nossa conversa em dia.

Não sei se começo pela Síria, pela Palestina, pela Liga Árabe, pela ONU ou escrevo tudo junto e misturado.
Sobre a Palestina, aquele acordo entre o Fatah e o Hamas não convenceu nem à minha filha de 11 anos. A encenação, o jogo de palavras e o script prontos não deixaram dúvida de que aquilo foi um jogo de cena, bem conveniente por sinal na atual conjuntura. Que conjuntura? A chamada Primavera Árabe no Mundo Árabe. Até agora não vi nenhum resultado positivo da tal "revolução". É Sério! Kaddafi e Mubarak caíram, Assad resiste bem, as revoltas no Bahrein, na Arábia Saudita e em Omã foram sufocadas com uma dura repressão dos respectivos governos, mas ninguém falou disso porque eles são aliados dos americanos e seus aliados europeus, o norte da África continua agonizando com guerras civis sem previsão de um fim democrático e os líderes palestinos resolveram babar o ovo do Emir do Qatar. Que conveniente!
É um tabuleiro de xadrez, onde os jogadores são os países ocidentais que despedaçam mais ainda o mundo árabe, enquanto os nossos líderes idiotas acreditam piamente que vão ganhar as bençãos do Tio Sam e virarem os queridinhos do Ocidente.
Já escrevi aqui, muitas vezes, que os países ocidentais esgotaram suas reservas de petróleo e estão economicamente falidos. A única opção energética destes países é o petróleo árabe e iraniano e a opção para salvar suas economias é explorar os recursos árabes (dinheiro e ações) confiscados nos bancos europeus e americanos. Não tem outro jeito de se safarem desta crise, portanto é uma questão de lógica. Botaram fogo na região, árabes lutando contra árabes, fazem uma acusação fajuta ao Irã de estar desenvolvendo armas nucleares, acusam a Síria (o corredor para o Irã) de estar violando os direitos humanos e tá armado o circo.
Vale salientar aqui que a guerra da Otan contra a Líbia só instalou o caos no país, com o aumento da violência contra civis, do número de estupros, da violência contra as mulheres e do estabelecimento de um estado de terror no país. Não se chegou a nenhum consenso sobre um novo governo ou um regime democrático como pregou o Ocidente antes de promover esta guerra. O resultado da ofensiva da Otan é um país em frangalhos e sem nenhum controle sobre os recursos, principalmente os energéticos, muito menos sobre o acesso ao dinheiro confiscado nos bancos europeus e americanos. Quanto ao Egito, saiu da ditadura de Mubarak para sucumbir à ditadura dos militares. O povo egípcio continua sem nenhuma proteção e até agora os presos continuam presos, os pobres continuam pobres, os desempregados continuam desempregados e o que é pior, as minorias estão sendo dizimadas a olho nu, principalmente os cristãos, sem nenhuma reação internacional. Cadê as organizações de direitos humanos e a ONU nestas horas? Ah, esqueci! Eles estão muito ocupados tentando culpar o regime da Síria pela violência que eles mesmos financiam e incitam. Vamos perdoar né gente! É muito trabalho a ser feito para despedaçar uma região inteira e ainda ganhar o aval da opinião pública mundial.
Aliás, a grande mídia tem feito um trabalho excelente nesta área. Por exemplo, os grupos terroristas armados na Síria promovem matanças dignas de um filme de terror, mas a mídia responsabiliza o governo pela matança. No Egito, a mídia cobriu por duas semanas o atentado contra os torcedores assassinados num estádio, mas nada falou sobre o governo militar e nem responsabilizou ninguém por isso. Nada se fala sobre as repressões na Arábia Saudita, Bahrein ou Omã. Nenhum jornalista se dá ao trabalho de fazer uma cobertura sobre a atual situação na Líbia. Por que? Ah, me desculpem! Às vezes esqueço que esta mídia só serve aos interesses escusos deste complô ocidental para a região.
E Israel? Às vezes fica quietinha, outras faz ameaças ao Irã. Claro, eles tem que aparecer de vez em quando senão não vão merecer o financiamento judaico-americano. Mas na surdina continua matando os palestinos diariamente, só que a gente não fica sabendo, porque a mídia está muito ocupada cobrindo a Síria, a Grécia, a Alemanha, o carnaval e os engarrafamentos no centro de São Paulo.
O resumo desta ópera é que os americanos e os europeus precisam de dinheiro e petróleo e não estão nem aí se 5.000 pessoas ou 100.000 pessoas vão morrer no mundo árabe, desde que o dinheiro árabe fique nas mãos deles e o petróleo seja obtido através de acordos indecentes como o acordo "petróleo em troca de comida" feito com o Iraque.
E por favor, não se sintam excluídos por viverem na América Latina. Assim que se esgotarem os recursos árabes, as bolas da vez serão o continente sul-americano e o continente africano. Já estão na lista deles e já existem "ongs de direitos humanos" atuando nestas áreas para garantir o acesso deles na hora certa. Mas vamos continuar vendo os desfiles de carnaval e nos ocupando com os engarrafamentos e as ações da bolsa de Nova Iorque, afinal é nisso que o Ocidente quer nos alienar.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Complô Ocidental contra a Síria

Esclarecimentos sobre a atual situação na Síria:


01- A convocação desta reunião não teve caráter legal, dado ao fato de que o Presidente da Assembléia Geral fez a convocação sem nenhuma consulta prévia aos membros da Assembléia Geral e aos grupos regionais e sim para atender às ordens do governo do Qatar.

02- A Síria tem sido alvo de ataques terroristas protagonizados por grupos armados que recebem apoio através de armamentos e dinheiro de países árabes e países vizinhos que violam os direitos humanos, matam civis, militares e membros das forças de segurança, destroem a infra-estrutura explodindo os dutos de petróleo e gás, as usinas elétricas, as ferrovias e os veículos de transporte de passageiros, através das incitações realizadas pelos meios de imprensa árabes e ocidentais e através do fornecimento do apoio aos terroristas.

03- O relatório dos observadores da Liga Árabe confirmou a existência destes grupos terroristas armados, que são responsáveis pelos atos de assassinato e pelo estado de terror espalhado entre os cidadãos, pelos ataques aos patrimônios públicos e particulares e que rejeitam o diálogo para alcançar uma solução para a crise vivida pela Síria nos últimos onze meses. 

04- As reformas que estão sendo conduzidas pelo Sr. Presidente Bashar Al Assad, que incluem a reforma da Constituição, o anúncio de uma nova lei para as eleições, uma nova lei para os partidos políticos e o fim do estado de emergência no país farão da Síria um país democrático e desenvolvido.
 05- A Síria insiste em realizar o diálogo nacional com a oposição interna e externa, mas as partes que formam esta oposição insistem no enfoque do caminho dos assassinatos e da destruição, rejeitando o princípio do diálogo de forma geral ou específica. As duas explosões ocorridas na cidade de Aleppo, no dia 10/02/2012, que resultaram em 20 vítimas e 238 cidadãos feridos, dentre os quais mulheres e crianças, são a confirmação deste fato. Atenciosamente, 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Mensagem do Embaixador da Síria

Nota à imprensa do Embaixador da República Árabe da Síria no Brasil.

Desde que começaram os acontecimentos na Síria, as forças de segurança e os membros do exército têm enfrentado os grupos terroristas armados, que têm protagonizado uma matança contra os cidadãos sírios, usando armas e plantando minas terrestres nas estradas e locais densamente habitados. Têm interditado ruas, cometido seqüestros, estupros e bombardeios contra os prédios públicos e privados, com o uso de metralhadoras do tipo  RPG e atirando aleatoriamente.
Apesar de todos estes atos, os mentores deste complô tentam enganar a opinião pública e distorcer os fatos, utilizando-se dos mais diferentes meios, incitam as matanças e o terrorismo e ignoram estes grupos terroristas.
Há alguns dias, o mundo ouviu as declarações de algumas autoridades libanesas, confirmando a existência de grupos pertencentes à organização Al Qaeda, que entraram na Síria através da cidade fronteiriça de Arsal.
Na última sexta-feira, 23/12/2011, estes grupos terroristas executaram dois atos suicidas, através da explosão de dois carros-bomba, que continham mais de 200 quilos de explosivos, em frente ao Departamento de Segurança do Estado e de uma delegacia local, vitimando dezenas de pessoas entre militares e civis, além da imensa destruição dos prédios vizinhos e de um grande número de carros que passavam pelo local.
Estes dois atos terroristas configuram uma nova espiral e confirmam o envolvimento da organização Al Qaeda nos acontecimentos na Síria.
Atenciosamente,
                        Embaixador da República Árabe da Síria no Brasil
                                           Mohammed Khaddour
Brasília, em 29/12/2011

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ou o que sobrou da Palestina....

estadao.com.br
Gustavo Chacra

Durante as minhas férias, pré-candidato republicano afirmou que os palestinos são um povo inventado. Ele foi corretamente criticado por uma série de pessoas com conhecimento mínimo da realidade. Afinal, o que são aqueles 3,5 milhões de pessoas que habitam a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, sem falar nos cerca de 1 milhão de refugiados nos países vizinhos?
Podem chamá-los do que quiserem, mas as pessoas que vivem em Gaza, Nablus, Ramallah, Belém, Jericó e Hebron precisam ser alguma coisa. Se a Palestina não existe e aquele território é de Israel, logo eles precisam receber imediatamente a cidadania israelense. Não existe outra alternativa, a não ser o Apartheid. Se, por outro lado, forem chamados de palestinos, devem ter o direito de ter um Estado.
Alguns dizem que a nação deles seria a Jordânia. Mesmo que estejam corretos (não estão), como transferir 3,5 milhões de pessoas de suas casas onde vivem há dezenas de gerações? Isso seria limpeza étnica, um crime contra a humanidade.
A melhor solução para o conflito no Oriente Médio ainda é a criação de um Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Os principais blocos de assentamentos próximos da fronteira ficariam com Israel em troca de terras em outras áreas. Jerusalém seria uma municipalidade unificada, mas capital dos dois países. Os refugiados poderiam retornar para o que seria a Palestina, mas não Israel.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Reinvenção

Ok, eu concordo que a comida árabe é deliciosa e merece ser aprendida, copiada e apreciada por todos, mas trocar o nome das nossas comidas? Aí já é demais!
Já não basta que os israelenses roubaram nosso país, nossas terras, nossas riquezas, nossas casas, nossas oliveiras, nosso mar e tudo mais que a Palestina tem de maravilhoso, agora querem também se apropriar da nossa identidade, nossa cultura, nossos trajes, nossa culinária e nossas tradições.
Já não bastava transformar o nosso falafel (bolinho de grão de bico) em hamburguer israelense? Já não bastava adotar o nosso hábito de comer lentilhas? Agora estão vendendo nossos bordados palestinos como se fossem bordados israelenses, já estão vendendo os nossos artesanatos em madeira, principalmente os presépios, como se fossem deles, estão adotando nossas receitas nas ceias de festas religiosas judias e forjando mil e um documentos para comprovar que a origem de tudo. Eu disse "forjando".
Quer saber? Não adianta! Nós somos a origem de toda esta cultura e vocês, israelenses, não passam de uns imitões que nunca vão capturar a alma do que é ser PALESTINO.
Sinto muito por vocês!
A propósito, minhas filhas já sabem tudo sobre a nossa cultura e vão passar para os meus netos tudo o que eu ensinei sobre ser palestino. Portanto, desistam de querer apagar a nossa identidade. Nós sempre daremos um jeito de nos reinventar.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Iniciativas que fazem a diferença.

Nota à imprensa - Ministério das Relações Exteriores
www.itamaraty.gob.br


Nota nº 453

Cooperação no âmbito do Fundo IBAS - Inauguração de Centro Multiesportivo em Ramalá

21/11/2011 -
Realizou-se, em 19 de novembro, na cidade de Ramalá, Palestina, a cerimônia de inauguração de Centro Multiesportivo. A cerimônia marcou a conclusão do primeiro projeto de cooperação promovido pelo Fundo IBAS na Palestina.
Índia, Brasil e África do Sul executam, ainda, outros dois projetos na Palestina: o de reabilitação do Centro Hospitalar e Cultural da Sociedade do Crescente Vermelho Palestino (Hospital Al Quds), na Faixa de Gaza, e o de construção de Centro para Pessoas com Necessidades Especiais, na cidade de Nablus.
O Fundo IBAS foi criado em maio de 2004, e consolida-se como importante mecanismo de cooperação Sul-Sul. Tem por objetivo apoiar projetos auto-sustentáveis e replicáveis que, baseados nas capacidades disponíveis nos países do IBAS e em suas experiências nacionais exitosas, contribuam com as demandas de outros países, particularmente os de Menor Desenvolvimento Relativo (MDRs) ou saídos de conflitos. O Fundo busca ainda contribuir para a consecução das Metas do Milênio.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Nós e a Unesco

Admitir a Palestina como um Estado membro na Unesco pode não parecer grande coisa para muitos, mas é um grande passo para todos nós palestinos, que estamos presenciando um marco histórico na nossa luta pelo nosso reconhecimento como estado.
Pode parecer bobagem, já que esta Organização das Nações Unidas trata de educação e cultura e nada tem a ver com o processo pelo reconhecimento do Estado da Palestina e todas as questões espinhosas ligadas à ele. Mas como disse o renomado jornalista Gustavo Chacra, não existem motivos para que Israel e Estados Unidos da América se oponham à este reconhecimento. É claro que tem aí uma certa ingenuidade do amigo Gustavo, mas é uma questão de retórica.
Qualquer tipo de reconhecimento que se refira aos palestinos é um passo adiante para a Causa Palestina. Isso, é claro, não interessa aos israelenses e americanos que trabalharam arduamente durante seis décadas em prol da estagnação das negociações. A verdade é esta: Nós nunca conseguimos sair do lugar porque acreditávamos nas intenções dos israelenses e americanos. Agora que os palestinos resolveram parar de acreditar na mentira das negociações de paz e dar um passo adiante, no âmbito das Nações Unidas, veremos o lado sórdido da tramóia israelo-americana, que inclui o corte de verbas, as sabotagens e as chantagens inerentes aos posicionamentos mais firmes.
Enquanto temos o apoio de mais de 120 países para o nosso reconhecimento como estado, temos por outro lado os países que são vitimas da chantagem dos americanos e dependentes do dinheiro deles para manterem  suas economias e suas engrenagens em pleno funcionamento. Por mais que se fale em autonomia dos países, está aí um exemplo claro que de não existe autonomia quando se depende financeiramente de outros. É um joguinho sórdido, muito bem explorado pelos americanos e israelenses.
Mas, em contrapartida, temos o lado bom da evolução na nova ordem mundial à nosso favor. Isso mesmo! Temos o Brasil, uma verdadeira autoridade no que se refere à energias renováveis, temos a China, o monstro da indústria mundial, temos a Índia com seu novo modelo de economia moderna e temos a nossa tradicional Russia, que nunca deixou de ser uma potência, liderando este processo de reconhecimento do Estado da Palestina. Quanto aos americanos, estes já tem problemas econômicos demais e estão em queda livre rumo à falência.
Então vou fazer uma perguntinha para Israel: Quem vai financiar os seus desmandos quando os americanos falirem?
Cuidado, hein! É bom começar a pensar nisso!