terça-feira, 5 de março de 2013

Muçulmanas: Com ou sem véu?

Tive que dar uma gargalhada diante de tal pergunta. "Como é que você pode ser uma muçulmana, se você não usa véu?". Hã? E qual é o problema de ser uma muçulmana e não usar véu?
Foi aí que me veio à mente as imagens dos filmes hollywoodianos, onde sempre mostram as mulheres muçulmanas cobertas dos pés à cabeça, andando cabisbaixas e com uma atitude submissa.
Foi essa a imagem propagada aos quatro cantos do mundo. Até hoje, não vi nenhum programa, filme, documentário, novela ou noticiário mostrando a mulher muçulmana moderna. Nenhum meio midiático está interessado em mostrar esta nova mulher independente, atualizada, conectada, ligada nas tendências da moda e, sobretudo, dona do próprio nariz. Não faz sentido para a mídia ocidental desmitificar aquela figura horrível, construída com trabalho árduo e muita manipulação. Definitivamente, não é este o objetivo do ocidente. Basta lembrar da novela global O Clone, onde as mulheres muçulmanas não trabalhavam, não contribuíam para o orçamento da família e ainda eram gastadeiras e só pensavam em maridos e ouro...muito ouro. Esta é a imagem que querem perpetuar de nós muçulmanas.
Mas estamos à anos luz desta imagem. Hoje, a mulher muçulmana tem formação universitária, só se casa quando já tem um emprego rentável, só tem filhos quando decide tê-los e está ao lado do homem para construir uma família e não atrás dele.
São mulheres com a autoestima em dia, donas de si, seguras em seus propósitos e que só usam o véu por opção, nunca por obrigação ou imposição. Vale mencionar que a independência financeira e o poder aquisitivo das mulheres muçulmanas lhes permitiu o direito de escolha. Ou seja, foi um direito conquistado com perseverança e com a preservação dos valores femininos. Isto lhes garantiu serem vistas e tratadas com respeito pelos homens, que atualmente lhes conferem certa idolatria.
Definitivamente não gosto de comparações, mas às vezes me vejo obrigada a fazê-las diante de certos argumentos. Vamos ver a situação das mulheres ocidentais de hoje. Ganham 40% a menos que os homens, são escravas da imagem (leia-se magreza), sua autoestima anda bastante abalada devido ao entendimento errôneo da liberdade sexual, na qual os homens saíram mais beneficiados, estão arrependidas de pedir direitos iguais, fato que lhes acarretou obrigações iguais e uma tripla jornada, estão sobrecarregadas, estressadas e vulneráveis. Agora vamos à situação das mulheres muçulmanas. Elas não entraram na luta por direitos iguais mas souberam conquistar seu espaço no mundo moderno, são dóceis e sabem como fazer bom uso de sua feminilidade para atingir seus objetivos, que em princípio parecem pequenos, mas são bastante relevantes, são independentes financeiramente e equilibradas emocionalmente. Basta observar de perto um lar com uma família muçulmana moderna, onde o homem participa ativamente da criação dos filhos, contribui para as tarefas domésticas e enxerga a mulher como companheira de luta.
Se o ocidente continua fazendo uma relação direta entre véu e submissão, sinto muito pelo erro grotesco. O uso do véu é opcional na religião muçulmana e a criatividade feminina o transformou num item indispensável de moda, um verdadeiro charme que realça nossos exóticos olhos orientais.
Se você, que está lendo este texto, não quer passar por uma pessoa desinformada, procure ler sobre o papel da mulher no mundo árabe e muçulmano, incluindo países como Irã e Afeganistão, onde, apesar do radicalismo, as mulheres conquistaram posições de respeito na política e chegam a ocupar mais de 20% dos cargos importantes, ao contrário dos países ocidentais, onde o papel da mulher continua relegado a um segundo plano.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Cegueira

Enquanto procurava imagens de flores no Google Images para desejar um bom dia aos meus amigos de Facebook, me deparei com uma imagem que me deixou paralisada: Duas crianças africanas famintas com as mãos estendidas, uma para pegar o alimento doado por algum voluntário e a outra com uma flor murcha sendo entregue a este mesmo voluntário.
Fiquei pensando na quantidade de "posts" que publicamos, diariamente, falando de inveja, de lições de moral, de poesias, de alfinetadas, de bichinhos bonitinhos, de bichinhos abandonados mas pouquíssimas falando destas crianças que foram abandonadas pelo mundo.
Não falo só da África. Estas crianças estão espalhadas por toda parte. Aqui mesmo, na capital federal do Brasil, temos crianças dormindo debaixo de viadutos, abandonadas à própria sorte e expostas à um mundo cada vez mais cruel, desumano e indiferente.
Certa vez, um menino desses de rua me abordou pedindo dinheiro para comer. Falei que não daria o dinheiro porque sei que alguém vai tirar dele, mas estaria disposta a pagar uma refeição para ele. Ele aceitou e paramos no primeiro restaurante, onde um dos garçons nos atendeu a contragosto, já que o menino se encontrava num estado lamentável de higiene. Ele pediu um daqueles pratos prontos, com direito à tudo. Comeu de forma metódica, separando sempre uma parte de todos os ítens que estavam em seu prato. Fiquei intrigada e perguntei o porquê daquela atitude. Ele então me disse que nem todas as pessoas entendem que ele e seu irmão querem apenas comer e sempre acham que querem comprar drogas ou bebidas alcoólicas. Aquela porção separada em seu prato era para o seu irmão de cinco anos que o estava esperando perto do semáforo.
Travei uma batalha árdua com minhas lágrimas e o confortei dizendo que pagaria outro prato de comida para o irmão mais novo.
Perguntei onde estavam os pais dele. Ele me disse que não conheceu o pai e que a mãe estava "muito doente" internada num hospital. Perguntei então se não tinha mais parentes e ele fez que não com a cabeça.
Seu nome é João e o nome do irmão é Isaac. Tinha sete anos.
Assim que ele terminou de comer, pedi que trouxesse o irmão para se alimentar também. Ele correu e voltou logo em seguida com o irmãozinho, mostrando para ele a "dona legal" que ia pagar a comida. Assim que o irmão terminou de comer, perguntei onde a mãe deles estava internada, mas eles não souberam me dizer. Fiquei pensando numa forma de não deixar aquelas duas criaturinhas abandonadas na rua e logo descartei as instituições do governo, visto que o ambiente seria tão ruim quanto o da rua.
Como eu morava perto do Centro Islâmico, resolvi arriscar e pedir ajuda ao sheikh para encontrar uma solução para o problema dos dois anjinhos. Ele ficou reticente e disse que de qualquer forma teria que avisar as autoridades brasileiras sobre o caso deles. Concordei, visto que não poderia hospeda-los em minha casa.  Havia um dormitório abandonado no Centro Islâmico e consegui, depois de muita teimosia, fazê-los tomar um banho enquanto saí para conseguir umas roupas com uma amiga que tinha filhos da mesma idade. Na volta, os dois estavam dormindo um sono profundo, talvez resultante do cansaço de vários dias de sono irregular e de comer sobras em lixeiras. Passados dois dias, consegui arrancar deles o nome completo da mãe, que estava internada no Hospital de Base com uma pneumonia grave. Fui visita-la e contei que tinha encontrado seus filhos. Ela chorou muito e disse que os tinha deixado aos cuidados de uma vizinha, que era empregada doméstica e que morava em Santo Antônio do Descoberto. Tratei de acalma-la, dizendo que seus filhos estavam bem e relatei o que tinha acontecido. Ela recebeu alta quatro dias depois e fui busca-la no hospital em companhia de João e Isaac. Consegui também algumas doações com os meus colegas de trabalho e algum dinheiro, já que a dona Josilda, a mãe, não poderia trabalhar tão cedo.
Foi aí que me dei conta que devem haver milhares de joões e isaacs pelas ruas da cidade, do país, do mundo, entregues à própria sorte e incompreendidos pelos corações endurecidos, que sequer notam sua presença.
Não é só na África que temos crianças famintas. Não é só para lá que precisamos mandar doações e coloca-las em mãos de ONGs duvidosas. Que tal começar por aqui mesmo? Que tal lançar um olhar mais cuidadoso aos que estão à sua volta. Uma atitude simples pode mudar a vida de uma pessoa. O que seria de João e Isaac se eles tivessem se perdido de sua mãe? Nem todos os que estão nas ruas são bandidos que vão te assaltar. Muitos só precisam de um minuto da sua atenção e um pouco de espirito humano.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Dezesseis anos

Acordei, sonolenta, com dezesseis anos. Sim, com dezesseis. Cheguei a sentir o cheiro de chá com sálvia preparado pela minha mãe. Os raios de sol invadiram o quarto por uma fresta no alto da janela, tal qual era o meu quarto em Uruguaiana.
Que sensação estranha! Depois de abrir os olhos pela segunda vez, descobri que estava no presente, em meu quarto atual. Tanto tempo se passou. Me vieram lembranças estranhas de umas fotos do Michael Jackson coladas na parede, do lado da minha cama, um armário muito bagunçado, o teto branco, uma estante com uma coleção de livros clássicos, desde Machado de Assis, passando por Leon Tolstói e Dostoievsky. Adorava ler e reler o romance de Moll Flanders.
Minha visão embaçada rebuscava na memória um cobertor xadrez vermelho e um lençol bordado nas extremidades. Ouvi a voz da minha mãe me chamar para ir ao colégio. Que frio! Não quero ir. Mas se ficar vou ter que arrumar a casa. Não, é melhor levantar e encarar o frio.
Minha memória vagou novamente e foi parar na penteadeira onde havia uma pasta azul de plástico e um caderno velho onde eu anotava alguns pensamentos. Acho que morreria de rir se encontrasse aquele caderno. Eram ideias bobas, sem sentido, pensamentos ingênuos de uma época em que predominavam os amores platônicos.
Vagando pelo meu antigo quarto, encontrei uma caixinha de maquiagem que ganhei da minha tia, quando morava em Amã. As cores eram berrantes. Uma sombra verde bandeira, uma azul, um blush rosa, um delineador verde e um brilho labial muito vermelho. Fazia sentido usar aquelas cores quando eu tinha doze ou treze anos, mas aos dezesseis me pareceram absolutamente improváveis.
Depois de muita resistência, levantei da cama e vesti uma blusa de lã branca que a minhã mãe tricotou para mim e uma calça jeans pra lá de surrada. Meu tênis estava molhado, portanto teria que usar uma bota preta, cheia de tachinhas, estilo Virginie, vocalista do Metrô ou a Paula Toller nos anos 80. O exagero era moda.
Na sala, havia uma mesa de madeira, cercada de muitas cadeiras. Seis iguais e duas improvisadas pelo meu pai. Eram cadeiras feias, desgastadas pelo tempo, mas davam uma cara de lar àquela casa. O café da manhã era sempre muito farto. Zaatar, ovos fritos, queijos, azeitonas, coalhada seca, tomate e pepino, chá preto com sálvia ou café ou uma vitamina com bolacha maria, a famosa "batida" da Dona Âmina. Bons tempos. Hoje o meu café da manhã consiste num copo d'água e uma fruta que devoro enquanto dirijo.
Caminhando pela 7 de Setembro, rua onde eu morava, vou escorregando na geada que se formou na calçada. Ainda bem que naquela época os muros eram baixos e a gente ia se apoiando neles. A escola ficava bem longe, uma caminhada de cerca de 25 minutos. Mas a sensação era boa. À medida que ia andando, alguns colegas iam se juntando à mim, formando um grupo numeroso e animado. Logo esquecíamos o frio e a brincadeira corria solto.
O despertador toca pela terceira vez e me traz de volta ao presente. Preciso tomar um banho, dar ração aos meus bichinhos, improvisar um lanche, fazer minha maquiagem, achar uma roupa em meio ao caos do meu armário e verificar se está tudo certo antes de sair. É, bons tempos! Preferia continuar vagando nos meus dezesseis anos!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Expediente


Meu inconsciente diz:  São só mais algumas horas.
Meu cérebro diz: Horas valiosas perdidas.
Uma lagartixa no pátio me distrai. Fica ali, inerte, ao sol. Couro estranho esse da lagartixa.
Tantas mudanças por fazer e eu aqui de mãos amarradas observando uma lagartixa. Quem foi que inventou essa coisa de expediente? Por que não podemos simplesmente cumprir nossas tarefas e utilizar nosso tempo a nosso favor? Felizes são os que trabalham na Microsoft e podem escolher os horários de trabalho, desde que cumpram suas funções.
Enfim uma tarefa. Algo que posso cumprir em cinco minutos. Bom, pelo menos o meu salário está sendo justificado.
Tarefa idiota! Eu poderia fazer isso de qualquer lugar do universo!
Tem uma mancha na parede da minha sala. De terra. Como é que alguém conseguiu fazer isso? Será que o jardineiro encostou a mão ali sem querer? Vai saber!
Um telefonema. Vou dar uma informação. Muito bom. Mais uma justificativa para o meu ganha-pão.  Mas que diabos estou fazendo aqui? Logo eu com essa minha mente inquieta, fervilhante? Por que nunca consegui me acomodar? Por que não aceito regras? Por que simplesmente não sei ficar no meu lugar?
Eu tenho projetos. Muitos projetos. Preciso de grana. Pouca grana. Nada demais. Nada surpreendente. Quero montar uma empresa, escrever um livro, fazer artesanato, aprender a tocar um instrumento, colocar o meu blog em dia. Tanta coisa que quero fazer!
Quero sair daqui. Meu amor me espera bem ali. Seria tão simples, mas é complicado. Claro, tinha que ser complicado, afinal trata-se desta pessoa que vos escreve. Nada é simples quando a pessoa em questão sou eu.
A lagartixa se moveu. Até que enfim um movimento! Pelo menos ela pode se mover.
Sinto um acúmulo de ideias inúteis. Preciso fazer uma faxina mental. Destas em que descartamos tudo o que já não tem mais serventia. Valores antigos, hábitos antigos. Acumulei tanta bagagem ao longo da vida e agora sinto que boa parte dela só serviu de peso morto. Preciso de leveza.
Não! Isso não é um desabafo. Estou apenas liberando fantasmas! E queimando algumas bruxas!
A lagartixa se foi! Sortuda! E eu aqui, cumprindo expediente!

domingo, 25 de março de 2012

O passado veio me visitar!

Ah, o passado. Quem pensa que ele passa e pronto está enganado. Ele sempre volta. Bem depois, é verdade, mas volta. Talvez para nos dar uma lição, talvez para nos dar prazer. Para os que acreditam nos astros, este retorno é tão somente o fechamento de um ciclo. Para os que acreditam no destino, ele é tão somente um acerto de contas. Para os românticos, é reviver. Para os descrentes, ele veio para atormentar. Para quem ama a vida, é mais um experiência. Para quem não liga, é só coincidência.
O passado é a base de tudo o que vem depois. Pode ser logo em seguida ou daqui a vinte anos. O passado é inteligente e sorrateiro. Chega sem avisar e nos coloca frente a frente com nós mesmos. Meio cruel também, porque talvez preferíssemos esquecer.
O passado é bonito porque trás consigo o frescor da juventude e nos faz rir de nós mesmos. Que ridículos fomos e quão felizes éramos. E aquelas roupas? E o cabelo? E as camisetas de bandas e heróis? E aquele botton no casaco jeans? E o tênis All Star vermelho ou branco? Por que diabos eu perdi aquele boné?
E os amigos? Ah, esses são um capítulo à parte. Os amigos ficavam com a gente por horas à fio, apenas para ficar junto. Nem tinha tanto assunto assim, mas cada um tinha algo a contar, completando o pensamento do outro ou interrompendo, não importa.
E as paqueras? Cada mico que a gente paga! Aquelas frases prontas e gaguejadas, o ritual de se preparar para um encontro, aquela roupa que era linda um dia antes, mas no dia do encontro parecia horrível, a espinha que resolvia aparecer justo no dia mais importante de todos e o cabelo que se rebelava nos últimos cinco minutos antes de sair de casa.
E os amores secretos, inconfessáveis? Ah, estes acabam nos acompanhando pela vida toda. São nosso segredo, nosso tesouro, nosso melhor momento quando estamos à sós. Aliás, estes amores são nossos melhores companheiros na hora da solidão, nosso refúgio na hora da decepção e nosso acalanto na hora da dor. Nossos amores secretos costumam ser perfeitos, serenos, solares e cúmplices.
E o cheiro do pão com manteiga no café da manhã? E aquele sono a caminho da escola? E os colegas que iam se juntando pelo caminho até formar um bando? E a caneta que sempre secava na hora da prova? E o lanche que acabava sendo coletivo por questão de solidariedade ou educação? E a vaquinha pra comprar a Coca-Cola na lanchonete? E a rodinha de bate-papo na hora do recreio? E o último LP do The Cure ou Sex Pistols?
E por falar no passado, ele tem me procurado muito ultimamente, cheio de gratas surpresas. Descobri, por exemplo, que eu não era invisível na escola. Também descobri que me achavam bonita. Que coisa! Justo eu que me achava o patinho feio da turma. Descobri que pessoas especiais, apesar do tempo, permanecem especiais. Descobri que um sentimento bom jamais se perde. Ele apenas se esconde em casulos discretos, quase imperceptíveis, para abrir as asas na hora em que menos esperamos.Descobri que respeito e a admiração são perenes. Descobri que rugas são causadas por uma vida cheia de boas risadas e não efeito de  envelhecimento e que cabelo branco pode ser um charme, se assumido com classe.
Dependendo da forma como você olha o seu passado, somadas as perdas e os ganhos, o saldo pode ser positivo, dependendo de como você assimila o resumo da sua vida.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Cenário Árabe

Não, não abandonei meu blog, apenas estive ocupada com os trabalhos sobre a crise na Síria, que tem me exigido tempo quase integral.

Hoje, vou aproveitar a folga de carnaval para colocar a nossa conversa em dia.

Não sei se começo pela Síria, pela Palestina, pela Liga Árabe, pela ONU ou escrevo tudo junto e misturado.
Sobre a Palestina, aquele acordo entre o Fatah e o Hamas não convenceu nem à minha filha de 11 anos. A encenação, o jogo de palavras e o script prontos não deixaram dúvida de que aquilo foi um jogo de cena, bem conveniente por sinal na atual conjuntura. Que conjuntura? A chamada Primavera Árabe no Mundo Árabe. Até agora não vi nenhum resultado positivo da tal "revolução". É Sério! Kaddafi e Mubarak caíram, Assad resiste bem, as revoltas no Bahrein, na Arábia Saudita e em Omã foram sufocadas com uma dura repressão dos respectivos governos, mas ninguém falou disso porque eles são aliados dos americanos e seus aliados europeus, o norte da África continua agonizando com guerras civis sem previsão de um fim democrático e os líderes palestinos resolveram babar o ovo do Emir do Qatar. Que conveniente!
É um tabuleiro de xadrez, onde os jogadores são os países ocidentais que despedaçam mais ainda o mundo árabe, enquanto os nossos líderes idiotas acreditam piamente que vão ganhar as bençãos do Tio Sam e virarem os queridinhos do Ocidente.
Já escrevi aqui, muitas vezes, que os países ocidentais esgotaram suas reservas de petróleo e estão economicamente falidos. A única opção energética destes países é o petróleo árabe e iraniano e a opção para salvar suas economias é explorar os recursos árabes (dinheiro e ações) confiscados nos bancos europeus e americanos. Não tem outro jeito de se safarem desta crise, portanto é uma questão de lógica. Botaram fogo na região, árabes lutando contra árabes, fazem uma acusação fajuta ao Irã de estar desenvolvendo armas nucleares, acusam a Síria (o corredor para o Irã) de estar violando os direitos humanos e tá armado o circo.
Vale salientar aqui que a guerra da Otan contra a Líbia só instalou o caos no país, com o aumento da violência contra civis, do número de estupros, da violência contra as mulheres e do estabelecimento de um estado de terror no país. Não se chegou a nenhum consenso sobre um novo governo ou um regime democrático como pregou o Ocidente antes de promover esta guerra. O resultado da ofensiva da Otan é um país em frangalhos e sem nenhum controle sobre os recursos, principalmente os energéticos, muito menos sobre o acesso ao dinheiro confiscado nos bancos europeus e americanos. Quanto ao Egito, saiu da ditadura de Mubarak para sucumbir à ditadura dos militares. O povo egípcio continua sem nenhuma proteção e até agora os presos continuam presos, os pobres continuam pobres, os desempregados continuam desempregados e o que é pior, as minorias estão sendo dizimadas a olho nu, principalmente os cristãos, sem nenhuma reação internacional. Cadê as organizações de direitos humanos e a ONU nestas horas? Ah, esqueci! Eles estão muito ocupados tentando culpar o regime da Síria pela violência que eles mesmos financiam e incitam. Vamos perdoar né gente! É muito trabalho a ser feito para despedaçar uma região inteira e ainda ganhar o aval da opinião pública mundial.
Aliás, a grande mídia tem feito um trabalho excelente nesta área. Por exemplo, os grupos terroristas armados na Síria promovem matanças dignas de um filme de terror, mas a mídia responsabiliza o governo pela matança. No Egito, a mídia cobriu por duas semanas o atentado contra os torcedores assassinados num estádio, mas nada falou sobre o governo militar e nem responsabilizou ninguém por isso. Nada se fala sobre as repressões na Arábia Saudita, Bahrein ou Omã. Nenhum jornalista se dá ao trabalho de fazer uma cobertura sobre a atual situação na Líbia. Por que? Ah, me desculpem! Às vezes esqueço que esta mídia só serve aos interesses escusos deste complô ocidental para a região.
E Israel? Às vezes fica quietinha, outras faz ameaças ao Irã. Claro, eles tem que aparecer de vez em quando senão não vão merecer o financiamento judaico-americano. Mas na surdina continua matando os palestinos diariamente, só que a gente não fica sabendo, porque a mídia está muito ocupada cobrindo a Síria, a Grécia, a Alemanha, o carnaval e os engarrafamentos no centro de São Paulo.
O resumo desta ópera é que os americanos e os europeus precisam de dinheiro e petróleo e não estão nem aí se 5.000 pessoas ou 100.000 pessoas vão morrer no mundo árabe, desde que o dinheiro árabe fique nas mãos deles e o petróleo seja obtido através de acordos indecentes como o acordo "petróleo em troca de comida" feito com o Iraque.
E por favor, não se sintam excluídos por viverem na América Latina. Assim que se esgotarem os recursos árabes, as bolas da vez serão o continente sul-americano e o continente africano. Já estão na lista deles e já existem "ongs de direitos humanos" atuando nestas áreas para garantir o acesso deles na hora certa. Mas vamos continuar vendo os desfiles de carnaval e nos ocupando com os engarrafamentos e as ações da bolsa de Nova Iorque, afinal é nisso que o Ocidente quer nos alienar.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Complô Ocidental contra a Síria

Esclarecimentos sobre a atual situação na Síria:


01- A convocação desta reunião não teve caráter legal, dado ao fato de que o Presidente da Assembléia Geral fez a convocação sem nenhuma consulta prévia aos membros da Assembléia Geral e aos grupos regionais e sim para atender às ordens do governo do Qatar.

02- A Síria tem sido alvo de ataques terroristas protagonizados por grupos armados que recebem apoio através de armamentos e dinheiro de países árabes e países vizinhos que violam os direitos humanos, matam civis, militares e membros das forças de segurança, destroem a infra-estrutura explodindo os dutos de petróleo e gás, as usinas elétricas, as ferrovias e os veículos de transporte de passageiros, através das incitações realizadas pelos meios de imprensa árabes e ocidentais e através do fornecimento do apoio aos terroristas.

03- O relatório dos observadores da Liga Árabe confirmou a existência destes grupos terroristas armados, que são responsáveis pelos atos de assassinato e pelo estado de terror espalhado entre os cidadãos, pelos ataques aos patrimônios públicos e particulares e que rejeitam o diálogo para alcançar uma solução para a crise vivida pela Síria nos últimos onze meses. 

04- As reformas que estão sendo conduzidas pelo Sr. Presidente Bashar Al Assad, que incluem a reforma da Constituição, o anúncio de uma nova lei para as eleições, uma nova lei para os partidos políticos e o fim do estado de emergência no país farão da Síria um país democrático e desenvolvido.
 05- A Síria insiste em realizar o diálogo nacional com a oposição interna e externa, mas as partes que formam esta oposição insistem no enfoque do caminho dos assassinatos e da destruição, rejeitando o princípio do diálogo de forma geral ou específica. As duas explosões ocorridas na cidade de Aleppo, no dia 10/02/2012, que resultaram em 20 vítimas e 238 cidadãos feridos, dentre os quais mulheres e crianças, são a confirmação deste fato. Atenciosamente,