A morte é feia! Ainda mais quando é injusta. Pior se for assassinato. Que dirá o assassinato em massa? Mesmo assim, com toda a onda de violência promovida pelos governos tiranos dos países árabes contra os manifestantes civís, o espetáculo que se vê é único.
Estamos presenciando um momento importantíssimo da história, com a queda das ditaduras dos países árabes, uma a uma, como um castelo de cartas que desaba.
É lindo de se ver! Aqueles manifestantes que por anos e anos suportaram a repressão e a censura à liberdade de expressão puderam, finalmente, colocar para fora toda a angústia de não poder dizer o que pensam. O preço é muito alto, vale vidas, mas é este o momento que todos nós esperávamos.
Ontem, ao assistir o discurso desesperado de Muammar Kaddafi, senti um prazer imensurável ao ver aquele que durante mais de 40 anos (quase a minha vida toda) vomitou arrogância encima do povo da Líbia.
A minha tia Faizeh, que mora em Benghazi desde que se casou, estremecia ao ouvir o nome do Kaddafi. Ele sempre foi sinônimo de medo e impetuosidade, portanto nunca um líder e sim um tirano. Contava-se a boca pequena que o simples fato de uma pessoa fazer uma única crítica ao seu regime, este tornaria-a absolutamente refém das ameaças e quiçá de condenação à morte por subversão.
Imaginem, então, a nova geração? Esta geração que cresceu acessando a internet e tendo contato com o mundo democrático da livre expressão. É claro que a bolha tinha que estourar e está estourando, mas desta vez nas mãos daqueles que, durante décadas, foram os algozes do povo.
O temor deu lugar à necessidade de liberdade, a repressão deu lugar à liberdade de expressão e a ditadura está dando lugar à democracia.
Cada um de nós que tem parentes nestes países em ebulição,sofre por não saber notícias dos que lá ficaram, mas os que lá estão têm o privilégio único de fazer parte da história, assim como os caras pintadas derrubam o Collor e registraram seu protesto para sempre na história do Brasil. É um espetáculo à parte.
Nunca imaginei que assistiria, em vida, este espetáculo. Pensei que seria privilégio das minhas filhas ou meus futuros netos, mas Deus é piedoso e generoso. As cenas que assistimos todos os dias, devem ser consideradas um privilégio da nossa existência, afinal, é bom sentir a alma lavada vendo estes trogloditas fugirem como ratos...ou baratas! Asquerosos!
Lembro-me, ainda criança, de não poder mencionar algumas palavras, tais como: imperialismo, censura, tirania, eleições, ditadura, subversão e outras que seguem a mesma linha. Qualquer pessoa que pronunciasse tais palavras era considerada suspeita e, às vezes, delatada por pessoas próximas que acreditavam, inocentemente, estarem sendo fiéis ao seu país. Era esta a teoria propagada: entreguem os traidores da nação. E os "traidores da nação" desapareciam, como num passe de mágica e nunca mais ouvia-se falar deles.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Adivinha quem?
Dou um docinho para quem adivinhar qual é o país membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas que vetou o projeto de resolução sobre a ilegalidade dos assentamentos israelenses nos territórios palestinos ocupados. Sabe quem? Os Estados Unidos da América, é claro! Porque o resto do mundo já assimilou que o que os israelenses fazem na Palestina é ilegal, é brutal, é criminoso! É tudo o que não se pode fazer contra um povo e um país, menos os filhotes do Tio Sam! Estes se recusam, terminantemente, a reconhecer os crimes de Israel e a apóiam, incondicionalmente, independente das atrocidades cometidas contra os palestinos. É este o conceito de imparcialidade que os americanos tem? Será que eles são mesmo dignos de fazerem parte do Conselho de Segurança? E que porcaria de Conselho é este que não decide baseado na ampla maioria? O veto de um impede a todos? Que sistema é este? Cadê a democracia neste caso?
REFORMAS JÁ PARA O CADUCO CONSELHO DE SEGURANÇA!
Ministério das Relações Exteriores
Nota à Imprensa
Nota nº 67
Votação no Conselho de Segurança sobre os assentamentos israelenses nos Territórios Palestinos Ocupados
O Governo brasileiro lamenta que o projeto de resolução sobre a ilegalidade dos assentamentos não tenha sido adotado no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O Governo brasileiro lamenta que o projeto de resolução sobre a ilegalidade dos assentamentos israelenses nos Territórios Palestinos Ocupados, incluindo Jerusalém Oriental, não tenha sido adotado no Conselho de Segurança das Nações Unidas, em votação ocorrida na tarde de hoje, dia 18. O projeto recebeu o co-patrocínio de 128 dos 192 membros da ONU, inclusive o Brasil, e o voto afirmativo de 14 dos 15 membros do Conselho de Segurança.
Após a votação, a Representante Permanente do Brasil junto às Nações Unidas em Nova York, Embaixadora Maria Luiza Viotti, proferiu a seguinte explicação de voto:
“A solução pacífica da Questão da Palestina é possivelmente o objetivo mais importante para a paz e a estabilidade no mundo.
Por sua vez, a continuada expansão dos assentamentos israelenses nos Territórios Palestinos Ocupados tornou-se o obstáculo mais grave a progressos concretos nas negociações para uma solução justa e duradoura da Questão.
É, portanto, natural que o Conselho de Segurança trate deste tema de forma condizente com sua responsabilidade primária pela manutenção da paz e da segurança internacionais. Saudamos um crescente engajamento da comunidade internacional nessa questão, inclusive por meio do Conselho de Segurança.
O projeto de resolução diante de nós reafirmava que todas as atividades israelenses relacionadas aos assentamentos nos Territórios Palestinos Ocupados, inclusive em Jerusalém Oriental, são ilegais e constituem grande obstáculo para alcançar-se a paz com base na solução dos dois Estados.
Recordava as obrigações de Israel nos termos do Mapa do Caminho, aprovado pela Resolução 1515 do CSNU. Também instava à retomada imediata de negociações efetivas.
O Brasil co-patrocinou o texto não apenas por concordarmos integralmente com ele, mas porque a resolução nos ajudaria a alcançar a solução de dois Estados e, portanto, contribuiria para a segurança e estabilidade de longo-prazo de toda região, inclusive de Israel. Ao procurar avançar o processo de paz, também temos em mente o direito de Israel de viver em segurança, livre de agressões e ameaças à sua existência. Brasil e Israel são bons amigos e importantes parceiros, tanto no âmbito bilateral quanto no do Mercosul.
Também co-patrocinamos o projeto de resolução porque sua adoção enviaria mensagens-chave urgentes.
Primeiro, que o desrespeito continuado das obrigações internacionais relacionadas à construção de assentamentos constitui ameaça à paz e à segurança na região.
Segundo, que a interrupção das atividades relacionadas aos assentamentos deve ser vista não como uma concessão, mas como a conduta legal de acordo com o direito internacional.
Terceiro, que ações unilaterais não devem prevalecer.
A defesa do direito internacional será sempre uma postura favorável à paz. O Conselho de Segurança não pode aceitar menos do que isso.
Distintos membros do Conselho de Segurança,
Ao longo dos anos, o Brasil vem apoiando a realização das legítimas aspirações do povo palestino por um Estado coeso, seguro, democrático e economicamente viável, dentro das fronteiras de 1967 e com Jerusalém Oriental como sua capital, vivendo lado a lado e em paz com o Estado de Israel.
À medida que fortalecemos nossas relações diplomáticas com todos os países da região, aprofundamos nosso compromisso com a estabilidade no Oriente Médio, nossa condenação a todas as formas de terrorismo e nossa convicção de que o processo de paz deve ser acelerado.
O recente reconhecimento do Estado Palestino pelo Brasil é plenamente consistente com nossa disposição de contribuir para uma solução justa e duradoura para a Questão da Palestina. Conforme indicado explicitamente naquele momento, tal decisão não significou o abandono da convicção de que negociações entre israelenses e palestinos são indispensáveis. Pelo contrário, nós a vemos como um estímulo a mais para as negociações. Apenas o diálogo e a coexistência pacífica com todos os vizinhos podem realmente fazer avançar a causa palestina.
Vários anos de esforços de negociação produziram base substancial sobre a qual é possível avançar. Temos a esperança de que a intensificação do cronograma de encontros do Quarteto revele disposição para dar passos concretos que levem a um acordo sobre status final até setembro próximo.
Acreditamos que a inclusão de mais países no processo de paz, inclusive países em desenvolvimento de fora da região e com boas relações com todas as partes, traria ar fresco para o processo de paz. O Brasil está pronto a participar e a apoiar tais esforços. Temos dado nossa contribuição aos esforços da Autoridade Palestina para a construção das instituições do Estado, inclusive por meio de cooperação bilateral e do IBAS (Índia, Brasil e África do Sul).
Num momento de particular potencial de mudanças no Oriente Médio, é ainda mais urgente que se faça progresso no processo de paz entre israelenses e palestinos. Agora, mais do que nunca, quanto melhores forem as perspectivas para o estabelecimento do Estado palestino, maior será a probabilidade de que a região avance rumo à estabilidade e à democracia. O congelamento da construção de assentamentos seria claro sinal de vontade política de engajar-se em negociações sérias.
Para chegar-se a um acordo, serão necessárias decisões políticas difíceis. O Brasil está confiante em que as lideranças israelenses e palestinas saberão portar-se como estadistas e estarão prontas a fazer as concessões dolorosas necessárias para que as próximas gerações possam usufruir dos benefícios da paz.”
REFORMAS JÁ PARA O CADUCO CONSELHO DE SEGURANÇA!
Ministério das Relações Exteriores
Nota à Imprensa
Nota nº 67
Votação no Conselho de Segurança sobre os assentamentos israelenses nos Territórios Palestinos Ocupados
O Governo brasileiro lamenta que o projeto de resolução sobre a ilegalidade dos assentamentos não tenha sido adotado no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O Governo brasileiro lamenta que o projeto de resolução sobre a ilegalidade dos assentamentos israelenses nos Territórios Palestinos Ocupados, incluindo Jerusalém Oriental, não tenha sido adotado no Conselho de Segurança das Nações Unidas, em votação ocorrida na tarde de hoje, dia 18. O projeto recebeu o co-patrocínio de 128 dos 192 membros da ONU, inclusive o Brasil, e o voto afirmativo de 14 dos 15 membros do Conselho de Segurança.
Após a votação, a Representante Permanente do Brasil junto às Nações Unidas em Nova York, Embaixadora Maria Luiza Viotti, proferiu a seguinte explicação de voto:
“A solução pacífica da Questão da Palestina é possivelmente o objetivo mais importante para a paz e a estabilidade no mundo.
Por sua vez, a continuada expansão dos assentamentos israelenses nos Territórios Palestinos Ocupados tornou-se o obstáculo mais grave a progressos concretos nas negociações para uma solução justa e duradoura da Questão.
É, portanto, natural que o Conselho de Segurança trate deste tema de forma condizente com sua responsabilidade primária pela manutenção da paz e da segurança internacionais. Saudamos um crescente engajamento da comunidade internacional nessa questão, inclusive por meio do Conselho de Segurança.
O projeto de resolução diante de nós reafirmava que todas as atividades israelenses relacionadas aos assentamentos nos Territórios Palestinos Ocupados, inclusive em Jerusalém Oriental, são ilegais e constituem grande obstáculo para alcançar-se a paz com base na solução dos dois Estados.
Recordava as obrigações de Israel nos termos do Mapa do Caminho, aprovado pela Resolução 1515 do CSNU. Também instava à retomada imediata de negociações efetivas.
O Brasil co-patrocinou o texto não apenas por concordarmos integralmente com ele, mas porque a resolução nos ajudaria a alcançar a solução de dois Estados e, portanto, contribuiria para a segurança e estabilidade de longo-prazo de toda região, inclusive de Israel. Ao procurar avançar o processo de paz, também temos em mente o direito de Israel de viver em segurança, livre de agressões e ameaças à sua existência. Brasil e Israel são bons amigos e importantes parceiros, tanto no âmbito bilateral quanto no do Mercosul.
Também co-patrocinamos o projeto de resolução porque sua adoção enviaria mensagens-chave urgentes.
Primeiro, que o desrespeito continuado das obrigações internacionais relacionadas à construção de assentamentos constitui ameaça à paz e à segurança na região.
Segundo, que a interrupção das atividades relacionadas aos assentamentos deve ser vista não como uma concessão, mas como a conduta legal de acordo com o direito internacional.
Terceiro, que ações unilaterais não devem prevalecer.
A defesa do direito internacional será sempre uma postura favorável à paz. O Conselho de Segurança não pode aceitar menos do que isso.
Distintos membros do Conselho de Segurança,
Ao longo dos anos, o Brasil vem apoiando a realização das legítimas aspirações do povo palestino por um Estado coeso, seguro, democrático e economicamente viável, dentro das fronteiras de 1967 e com Jerusalém Oriental como sua capital, vivendo lado a lado e em paz com o Estado de Israel.
À medida que fortalecemos nossas relações diplomáticas com todos os países da região, aprofundamos nosso compromisso com a estabilidade no Oriente Médio, nossa condenação a todas as formas de terrorismo e nossa convicção de que o processo de paz deve ser acelerado.
O recente reconhecimento do Estado Palestino pelo Brasil é plenamente consistente com nossa disposição de contribuir para uma solução justa e duradoura para a Questão da Palestina. Conforme indicado explicitamente naquele momento, tal decisão não significou o abandono da convicção de que negociações entre israelenses e palestinos são indispensáveis. Pelo contrário, nós a vemos como um estímulo a mais para as negociações. Apenas o diálogo e a coexistência pacífica com todos os vizinhos podem realmente fazer avançar a causa palestina.
Vários anos de esforços de negociação produziram base substancial sobre a qual é possível avançar. Temos a esperança de que a intensificação do cronograma de encontros do Quarteto revele disposição para dar passos concretos que levem a um acordo sobre status final até setembro próximo.
Acreditamos que a inclusão de mais países no processo de paz, inclusive países em desenvolvimento de fora da região e com boas relações com todas as partes, traria ar fresco para o processo de paz. O Brasil está pronto a participar e a apoiar tais esforços. Temos dado nossa contribuição aos esforços da Autoridade Palestina para a construção das instituições do Estado, inclusive por meio de cooperação bilateral e do IBAS (Índia, Brasil e África do Sul).
Num momento de particular potencial de mudanças no Oriente Médio, é ainda mais urgente que se faça progresso no processo de paz entre israelenses e palestinos. Agora, mais do que nunca, quanto melhores forem as perspectivas para o estabelecimento do Estado palestino, maior será a probabilidade de que a região avance rumo à estabilidade e à democracia. O congelamento da construção de assentamentos seria claro sinal de vontade política de engajar-se em negociações sérias.
Para chegar-se a um acordo, serão necessárias decisões políticas difíceis. O Brasil está confiante em que as lideranças israelenses e palestinas saberão portar-se como estadistas e estarão prontas a fazer as concessões dolorosas necessárias para que as próximas gerações possam usufruir dos benefícios da paz.”
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Folha de São Paulo
17/02/2011
As bengaladas do pacifista
LUCAS MENDES
COLUNISTA DA BBC BRASIL, EM NOVA YORK
Ditadores bravos e mansos, cuidado com a bengala de Gene Sharp. Ele foi o inspirador e guia dos protestos que derrubaram Milosevic na Sérvia, os regimes da Ucrânia e Geórgia, os ditadores do Egito, da Tunísia, sacodem o Irã, Bahrein, Líbia, Iraque, Argélia. Quem mais? Incomodam Chávez, Putin e dezenas de democracias suspeitas.
Seu Politics of Nonviolent Action (Políticas de ação não-violenta) é um canhão de 902 páginas, publicado em 1973, mas sua arma mais usada é o breve e portátil From Dictatorship to Democracy (Da Ditadura à Democracia), de 90 páginas, traduzido para mais de 30 línguas. O download é fácil.
Quando foi publicado em russo, as duas livrarias que vendiam o livro pegaram fogo, uma delas por um coquetel molotov dos convencionais.
Os protestos na Tunísia e no Egito não foram espontâneos, sem líderes e sem planejamento. Embora ninguém esperasse um final tão rápido, foram muito bem coordenados, e sem Facebook e Twitter teriam fracassado.
Numa longa e minuciosa matéria, o "New York Times" revela as conexões dos jovens nas ruas e praças árabes com ativistas sérvios ligados ao Otpor, o movimento de resistência pacífica decisivo na queda de Milosevic que se orientou pelo manual de Gene Sharp e colaborou com tunisianos e egípcios.
Quando Ahmadinejad e Hugo Chávez se queixam que os protestos são inspirados e ensinados por agitadores internacionais, eles estão certos. Chávez já se referiu a ele em público e Ahmadinejad mandou fazer um filme de propaganda antiamericana rodado na TV estatal onde o personagem malvadop é inspirado em Gene Sharp, um suposto agente da CIA.
Este agitador tem 83 anos, está frágil, caminha com uma bengala e mora numa casa modesta perto do aeroporto de Boston com estantes de livros cheias até no banheiro. No teto há uma estufa onde cultiva orquídeas, um antigo relaxante. No perfil de onde vieram algumas destas informações, Philip Shiskin conta que Sharp, nascido em Ohio, é extremamente tímido, nunca se casou nem teve filhos e, desde a infância, teve poucos amigos, porque o pai, um pastor, não parava em lugar algum.
Sharp foi bem educado, com doutorado em Oxford. Durante uma longa temporada em Harvard, criou a Albert Einstein Institution, dedicada à pesquisa e promoção de resistência pacífica a ditaduras. O nome é uma homenagem ao genial cientista pacifista, mas seu modelo de estudo e inspiração é Gandhi, não o Mahatma, o sonhador, e sim o Mohandas, que, além de guru maior da resistência pacifica que expulsou os ingleses da Índia, era "um político calculista".
Afiado e conciso, Sharp explica: "As ditaduras existem porque o povo consente". No livro ele dá uma receita com 198 táticas de resistência pacífica. "O importante é parar a máquina do governo. Se os soldados não dispararem, se houver um curto circuito nas comunicações e o sistema de transporte parar, os ditadores poderão dar ordens, mas não acontecerá nada".
Numa entrevista em 2002, Sharp disse que os estudantes na Praça Celestial da Paz em Pequim quase derrubaram o governo chinês, mas faltou estratégia. "Os funcionários públicos jogavam dinheiro em cima dos estudantes, mas não entraram em greve e ninguém planejou parar o sistema de transportes."
Sharp perdeu a verba que financiava seu Instituto Einstein e raramente sai de seu refúgio em Boston. O nome dele é destaque nos jornais, mas não tem dado entrevistas. Alimenta a subversão pacífica pelos livros e pela internet, mas em 1992, conta Shishkin, Sharp saiu de barco da Tailândia e entrou às escondidas em Mianmar para convencer os guerrilheiros a trocar a luta armada pela sua cartilha sem violência.
Para entender a explosão de protestos no mundo árabe não é preciso ler os livros de Sharp. Eles enriquecem a informação, mas o essencial já está nos jornais, como os movimentos egípcio, tunisiano e outros estão conectados há muito tempo pelo Facebook. Sharp, o inspirador dos protestos, não sabe se esta explosão vai desaguar em regimes livres e simpáticos ao Ocidente.
Vamos descobrir com ele se o gene da democracia está no DNA do mundo árabe.
17/02/2011
As bengaladas do pacifista
LUCAS MENDES
COLUNISTA DA BBC BRASIL, EM NOVA YORK
Ditadores bravos e mansos, cuidado com a bengala de Gene Sharp. Ele foi o inspirador e guia dos protestos que derrubaram Milosevic na Sérvia, os regimes da Ucrânia e Geórgia, os ditadores do Egito, da Tunísia, sacodem o Irã, Bahrein, Líbia, Iraque, Argélia. Quem mais? Incomodam Chávez, Putin e dezenas de democracias suspeitas.
Seu Politics of Nonviolent Action (Políticas de ação não-violenta) é um canhão de 902 páginas, publicado em 1973, mas sua arma mais usada é o breve e portátil From Dictatorship to Democracy (Da Ditadura à Democracia), de 90 páginas, traduzido para mais de 30 línguas. O download é fácil.
Quando foi publicado em russo, as duas livrarias que vendiam o livro pegaram fogo, uma delas por um coquetel molotov dos convencionais.
Os protestos na Tunísia e no Egito não foram espontâneos, sem líderes e sem planejamento. Embora ninguém esperasse um final tão rápido, foram muito bem coordenados, e sem Facebook e Twitter teriam fracassado.
Numa longa e minuciosa matéria, o "New York Times" revela as conexões dos jovens nas ruas e praças árabes com ativistas sérvios ligados ao Otpor, o movimento de resistência pacífica decisivo na queda de Milosevic que se orientou pelo manual de Gene Sharp e colaborou com tunisianos e egípcios.
Quando Ahmadinejad e Hugo Chávez se queixam que os protestos são inspirados e ensinados por agitadores internacionais, eles estão certos. Chávez já se referiu a ele em público e Ahmadinejad mandou fazer um filme de propaganda antiamericana rodado na TV estatal onde o personagem malvadop é inspirado em Gene Sharp, um suposto agente da CIA.
Este agitador tem 83 anos, está frágil, caminha com uma bengala e mora numa casa modesta perto do aeroporto de Boston com estantes de livros cheias até no banheiro. No teto há uma estufa onde cultiva orquídeas, um antigo relaxante. No perfil de onde vieram algumas destas informações, Philip Shiskin conta que Sharp, nascido em Ohio, é extremamente tímido, nunca se casou nem teve filhos e, desde a infância, teve poucos amigos, porque o pai, um pastor, não parava em lugar algum.
Sharp foi bem educado, com doutorado em Oxford. Durante uma longa temporada em Harvard, criou a Albert Einstein Institution, dedicada à pesquisa e promoção de resistência pacífica a ditaduras. O nome é uma homenagem ao genial cientista pacifista, mas seu modelo de estudo e inspiração é Gandhi, não o Mahatma, o sonhador, e sim o Mohandas, que, além de guru maior da resistência pacifica que expulsou os ingleses da Índia, era "um político calculista".
Afiado e conciso, Sharp explica: "As ditaduras existem porque o povo consente". No livro ele dá uma receita com 198 táticas de resistência pacífica. "O importante é parar a máquina do governo. Se os soldados não dispararem, se houver um curto circuito nas comunicações e o sistema de transporte parar, os ditadores poderão dar ordens, mas não acontecerá nada".
Numa entrevista em 2002, Sharp disse que os estudantes na Praça Celestial da Paz em Pequim quase derrubaram o governo chinês, mas faltou estratégia. "Os funcionários públicos jogavam dinheiro em cima dos estudantes, mas não entraram em greve e ninguém planejou parar o sistema de transportes."
Sharp perdeu a verba que financiava seu Instituto Einstein e raramente sai de seu refúgio em Boston. O nome dele é destaque nos jornais, mas não tem dado entrevistas. Alimenta a subversão pacífica pelos livros e pela internet, mas em 1992, conta Shishkin, Sharp saiu de barco da Tailândia e entrou às escondidas em Mianmar para convencer os guerrilheiros a trocar a luta armada pela sua cartilha sem violência.
Para entender a explosão de protestos no mundo árabe não é preciso ler os livros de Sharp. Eles enriquecem a informação, mas o essencial já está nos jornais, como os movimentos egípcio, tunisiano e outros estão conectados há muito tempo pelo Facebook. Sharp, o inspirador dos protestos, não sabe se esta explosão vai desaguar em regimes livres e simpáticos ao Ocidente.
Vamos descobrir com ele se o gene da democracia está no DNA do mundo árabe.
Palestina Livre
Visite o site http://www.palestinalivre.org/ e mantenha-se inteirado sobre as principais atividades da comunidade palestina pensante no Brasil.
Vale a pena conferir!
Vale a pena conferir!
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Livro Didático?
Como acontece todos os anos, desde que minhas filhas ingressaram na escola, neste ano fiz, mais uma vez, a via crucis da compra de material escolar. Primeiro o pagamento das matrículas e material coletivo (um absurdo cobrado e do qual nunca nos prestam contas), depois a lista de materiais e livros.
Fiz pesquisa de preços, comparei, pesquisei na internet e fiz todo o possível para economizar meu suado dinheirinho. O resultado não foi lá muito gratificante.
Como todos os pais, fiquei revoltada com o preço dos livros que só serão usados neste ano e no ano que vem não servem nem para vender aos sebos, pois já serão considerados obsoletos.
Se as matérias continuam as mesmas, a gramática continua com as mesmas regras, a história do descobrimento do Brasil não mudou (que eu saiba) e muito menos a tabela periódica, então por que mudar os livros todo o ano? E se as matérias são as mesmas, por que as escolas não preparam apostilas que incluam as matérias e os exercícios, poupando assim cadernos, livros e principalmente poupando as florestas da degradação?
Não é isso que ensinam nas escolas, o respeito ao meio ambiente? Que exemplo é este se as próprias escolas protagonizam a degradação das florestas com o descarte sistemático dos livros anualmente? Isso fora os cadernos e zilhões de resmas de papel. É assim que educam nossos filhos? Ensinando a hipocrisia desde cedo?
Deveria haver uma lei que proibisse este tipo de prática. Aliás, deveria haver uma lei que obrigasse as escolas, públicas e particulares a seguirem um curriculo escolar unificado, com as mesmas matérias para todos, assim a direfenças diminuiriam e o ensino de qualidade seria proporcionado a todos, dando aos alunos das escolas, todas, as mesmas oportunidades de concorrer a vagas nas faculdades.
Fica aqui o meu protesto e minha revolta. Tenho certeza que este é o sentimento de todos os pais que se sentem agredidos, ofendidos, massacrados e ao mesmo tempo impotentes diante da arbitrariedade das escolas particulares no Brasil.
É um desrespeito total com os pais que velam pela boa educação de seus filhos e se preocupam em dar um ensino de qualidade a eles, além de ser um crime flagrante contra o meio ambiente.
Fiz pesquisa de preços, comparei, pesquisei na internet e fiz todo o possível para economizar meu suado dinheirinho. O resultado não foi lá muito gratificante.
Como todos os pais, fiquei revoltada com o preço dos livros que só serão usados neste ano e no ano que vem não servem nem para vender aos sebos, pois já serão considerados obsoletos.
Se as matérias continuam as mesmas, a gramática continua com as mesmas regras, a história do descobrimento do Brasil não mudou (que eu saiba) e muito menos a tabela periódica, então por que mudar os livros todo o ano? E se as matérias são as mesmas, por que as escolas não preparam apostilas que incluam as matérias e os exercícios, poupando assim cadernos, livros e principalmente poupando as florestas da degradação?
Não é isso que ensinam nas escolas, o respeito ao meio ambiente? Que exemplo é este se as próprias escolas protagonizam a degradação das florestas com o descarte sistemático dos livros anualmente? Isso fora os cadernos e zilhões de resmas de papel. É assim que educam nossos filhos? Ensinando a hipocrisia desde cedo?
Deveria haver uma lei que proibisse este tipo de prática. Aliás, deveria haver uma lei que obrigasse as escolas, públicas e particulares a seguirem um curriculo escolar unificado, com as mesmas matérias para todos, assim a direfenças diminuiriam e o ensino de qualidade seria proporcionado a todos, dando aos alunos das escolas, todas, as mesmas oportunidades de concorrer a vagas nas faculdades.
Fica aqui o meu protesto e minha revolta. Tenho certeza que este é o sentimento de todos os pais que se sentem agredidos, ofendidos, massacrados e ao mesmo tempo impotentes diante da arbitrariedade das escolas particulares no Brasil.
É um desrespeito total com os pais que velam pela boa educação de seus filhos e se preocupam em dar um ensino de qualidade a eles, além de ser um crime flagrante contra o meio ambiente.
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